Escola e Pais: diminuir a distância é urgente

November 30th, 2011 1 comment

Esta é uma reflexão especial, não só para os que são educadores e/ou pais, mas para a sociedade como um todo, que precisa refinar seu olhar para o papel do professor e da educação na construção de pessoas melhores.

O texto abaixo foi publicado originalmente em Inglês no site da CNN – http://edition.cnn.com/2011/09/06/living/teachers-want-to-tell-parents/index.html

Por externar, de forma contundente,  uma problemática cada vez mais preocupante – a desconexão e o conflito crescentes entre professores e pais – ousei traduzi-lo (de forma artesanal e livre) e publicá-lo neste espaço, para facilitar sua análise por todos.

Nem tudo se aplica, a meu ver,  a todas as situações (há pais muito conscientes e há professores que erram mais que o razoável).

Minha sugestão é que seja matéria de trabalho e discussão entre pais e mestres, na busca do necessário consenso, do crescimento mútuo e da construção de um novo pacto de mútuo respeito. Espero que seja instrumento útil para abrir espaço para o diálogo,  para o bem de todas partes, e, especialmente, para que não seja comprometida a educação das crianças e jovens  por este conflito insano. Afinal, bem diz um ditado que aprendi com um amigo angolano: “Na briga entre elefantes, quem sofre é o capim.”

O que os professores realmente querem dizer aos pais

Por Ron Clark, Especial para CNN
06 de setembro de 2011 - Atualizado 1312 GMT (2112 HKT)
Nota do editor: Ron Clark, autor de ” “The End of Molasses Classes: Getting Our Kids Unstuck — 101 Extraordinary Solutions for Parents and Teachers,”, foi nomeado ”Mestre Americano do Ano” pela Disney e reconhecido por Oprah Winfrey como seu “Homem fenomenal.” Ele fundou a Academia Ron Clark, que os educadores de todo o mundo visitam para aprender.

(CNN) - Neste verão, eu conheci uma diretora que foi nomeada recentemente como a administradora do ano em seu estado. Ela era amada e adorada por todos, mas  me disse que estava deixando a profissão.

Eu gritei: “Você não pode nos deixar “, e ela respondeu incisivamente: “Olha, se eu receber uma oferta para liderar um sistema escolar de órfãos, eu vou me debruçar sobre ele, mas eu simplesmente não posso lidar maiscom os pais , eles estão nos matando .”

Infelizmente, esse sentimento parece estar se tornando mais e mais prevalente. Hoje, novos professores permanecem em nossa profissão uma média de apenas 4,5 anos  e muitos deles listam as “questões com os pais” como uma das suas razões para jogar a toalha. A fala vai-se espalhando e, quanto mais negatividade os professores  recebem dos pais, mais difícil se torna recrutar os melhores e os mais brilhantes das faculdades.

Então, o que podemos fazer para deter a maré? O que os professores realmente precisam que os pais  entendam?

Para começar, somos educadores, não babás. Somos profissionais educados que trabalham com crianças todos os dias e muitas vezes vêem o seu filho por um prisma diferente do seu. Se nós lhe damos um conselho, não lute contra ele. Tome-o e digira-o da mesma forma que você consideraria o conselho de um médico ou advogado. Eu me habituei a alguns pais que simplesmente não querem ouvir nada negativo sobre seu filho, mas, às vezes, se você está disposto a aceitar de coração um alerta antecipado,   ele pode ajudá-lo a encarar logo uma questão que poderá se tornar muito maior no futuro.

Confie em nós. Às vezes, quando eu digo aos pais que seu filho tem tido problemas de comportamento, quase posso ver os cabelos se eriçarem em suas costas. Eles estão prontos para lutar e defender seus filhos, e isto é muito cansativo. Uma das minhas maiores irritações é quando eu conto a uma mãe uma coisa que seu filho  fez e ela se vira, olha para ele e pergunta: “Isso é verdade?” Ora, é claro que é verdade. Eu acabei de lhe dizer. E por favor não pergunte se um colega pode confirmar o que aconteceu ou se outro professor estava presente. Isto só humilha o professor e enfraquece a parceria entre professor e pais.

Por favor, elimine todas as desculpas

E se você realmente quer ajudar seus filhos a serem bem sucedidos, pare de inventar desculpas para eles. Eu estava conversando com uma mãe e seu filho sobre as tarefas de leitura de verão. Ele me disse que não tinha começado e eu o deixei saber que eu estava extremamente desapontado, porque as aulas começariam em duas semanas.

Sua mãe entrou na conversa e me disse que tinha sido um verão horrível para eles por causa de questões familiares por que haviam passado, em julho. Eu disse que sentia muito, mas não pude deixar de salientar que as tarefas foram dadas em maio. Ela rapidamente acrescentou que estava permitindo que seu filho tivesse algum “tempo de diversão” durante o verão antes de voltar a trabalhar em julho e que não era culpa dele o trabalho não estar completo.

Você pode sentir minha dor?

Alguns pais vão dar desculpas, independentemente da situação, e eles estão criando filhos que vão se transformar em adultos que se voltam sempre para desculpas e não criarão uma forte ética de trabalho. Se você não quer que seu filho chegue aos 25 e desempregado, sentado em seu sofá comendo batatas fritas, então pare de inventar desculpas para por que eles não estão tendo sucesso. Em vez disso,  concentre-se em encontrar soluções.

Pais, sejam parceiros, em vez de um promotores

E, pais, vocês sabem, está OK se seu filho tiver problemas, às vezes. Estes formam o caráter e ensinam lições de vida. Como professores, ficamos envergonhados com aqueles pais que se colocam no caminho dessas lições; nós os chamamos de “pais helicópteros”,  pois querem mergulhar e salvar sua criança toda vez que algo dá errado. Se dermos a uma criança um 79 em um projeto, então é isso que a criança merece. Não agende uma hora para se encontrar comigo para negociar crédito extra para um 80. É um 79, independentemente de se você acha que deveria ser um B +.

Esta pode ser difícil de aceitar, mas você não deve presumir que porque o seu filho tem sempre um A que ele / ela está recebendo uma boa educação. A verdade é que muitas vezes são os maus professores que dão as notas mais altas, porque eles sabem que, dando boas notas, todos vão deixá-los em paz. Os pais vão dizer: “Meu filho tem um(a) grande professor(a)! Ele tirou A em todas este ano!”

Ora, vem cá. Com toda a honestidade, são geralmente os melhores professores que dão as notas mais baixas, porque eles estão elevando as expectativas. No entanto, quando seus filhos recebem notas baixas você quer reclamar e vai direto ao gabinete do diretor.

Por favor, dê um passo atrás e dê uma boa olhada na paisagem. Antes de desafiar essas notas baixas que você sente que o professor “deu” a seu filho, talvez seja necessário compreender que o seu filho ”ganhou” estas notas e que o professor de que se queixa é na verdade o que está fornecendo a melhor educação.

E, por favor, seja um parceiro em vez de um promotor. Eu tive um aluno que estava “colando”   num teste e seus pais ameaçaram chamar um advogado, porque eu o estaria rotulando de criminoso. Eu sei que parece loucura, mas diretores de todo o país estão me dizendo que advogados estão cada vez mais  acompanhando os pais nas reuniões da escola sobre seus filhos.

Professores pisando em ovos

Eu me sinto muito triste por administradores e professores nos dias de hoje, cujas mãos estão completamente atadas. De muitas maneiras, nós vivemos com medo do que vai acontecer a seguir. Nós pisamos em ovos em um sistema de educação aguado, onde os professores não têm a coragem de serem honestos e falarem o que pensam. Se eles fazem um pequeno erro, isto pode se tornar um enorme desastre.

Minha mãe acabou de me contar que uma criança em uma escola local escreveu em seu próprio rosto com um marcador permanente. A professora tentou limpar com uma toalha molhada e isto deixou uma marca vermelha no lado do seu rosto. Os pais chamaram a mídia e a professora perdeu o emprego. Minha mãe, minha própria mãe, disse: “Você pode acreditar que a mulher fez isso?”

Eu me senti atingido no estômago. Sinceramente, teria, provavelmente, tentado fazer com que a marca saísse também. Pensar que poderíamos perder nossos empregos por algo tão pequeno é assustador. Por que alguém iria querer entrar na nossa profissão? Se os nossos professores continuam a sentir-se ameaçados e com medo, você vai roubar nossas escolas dos nossos melhores e dificultar os nossos esforços para recrutar educadores excelentes amanhã.

Finalmente, lide com situações negativas de uma maneira profissional.

Se o seu filho disse que alguma coisa aconteceu na sala de aula e isto preocupa você, peça para se encontrar com o professor e aborde a situação dizendo: “Eu queria que você soubesse algo que meu filho disse que aconteceu em sua sala, porque eu sei que as crianças podem exagerar e que há sempre dois lados para cada história. Eu queria que você clareasse isto um pouco para mim. ” Se você não ficar feliz com o resultado,  leve, em seguida, as suas preocupações ao diretor, mas acima de tudo, nunca fale mal de um professor na frente de seu filho. Se ele sabe que você não o respeita, ele não o fará também, o que levará a uma série de novos problemas.

Nós sabemos que você ama seus filhos. Nós os amamos também. Nós só pedimos- e imploramos – para confiar em nós, nos apoiar e trabalhar com o sistema escolar, e não contra ele. Precisamos de vocês às nossas costas e precisamos que vocês nos dêem o respeito que merecemos. Levantem-nos, façam-nos sentir apreciados, e vamos trabalhar ainda mais para dar ao seu filho a melhor educação possível.

Esta é a promessa de um professor, de mim para você.

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O PARLAMENTO BRASILEIRO: UM CASO DE EXECRAÇÃO PÚBLICA?

December 28th, 2010 2 comments

EXECRAR:  Detestar, abominar, amaldiçoar;

EXECRAÇÃO: aversão, horror ou ódio ilimitado;
perda da qualidade ou condição de ungido.

(Fonte: Dicionário Aurélio)

Ungido pelo voto popular como representante e defensor dos interesses do povo, o Parlamento passa a legislar exclusivamente em causa própria. A criatura se volta contra o criador, passando a extorquir-lhe os recursos e minar-lhe a energia econômica, assaltando o caixa com falcatruas mirabolantes, vendendo-se por pouco ou muito dinheiro e, não satisfeito, aumentando ao bel prazer os próprios salários, no apagar das luzes da legislatura, em poucos minutos. Sem consultar ninguém, com uma desfaçatez que assusta, humilha e revolta.

Como, assim, nunca sobra o dinheiro necessário para a Saúde, a Educação e outros serviços de interesse público, tome mais carga tributária, mais tempo do povo trabalhando só para tapar o buraco consciente, acintosa e criminosamente cavado e continuamente aumentado.

Onde é que um funcionário (ainda que público) tem a prerrogativa de estabelecer o salário que vai ganhar? Em que organização? Em que planeta?

Quem determinou que um Deputado Tiririca (ou não) vale tanto quanto um Juiz do Supremo, que, para chegar ao posto, teve que estudar diuturnamente, passar por inúmeros concursos e se destacar da multidão por méritos intelectuais incontestáveis? No meio parlamentar, há, ao lado de alguns cidadãos íntegros e competentes, muitos semi-analfabetos, semi-delinquentes e delinqüentes, que só não vão para a cadeia porque se auto-atribuíram imunidade parlamentar. Ou pelo “poder de compra”. Equipará-los a juízes do STF? Brincadeira ou cretinice.

Num condomínio qualquer, o síndico ou seus auxiliares jamais teriam o direito de arbitrar os próprios proventos. Somente a Assembléia Geral – a instância máxima de poder –  tem a prerrogativa de fazê-lo. Mas, no Condomínio chamado Brasil, os “síndicos” deram um golpe de estado e assumiram o máximo poder. À Assembléia Geral, o povo, cabe apenas e idiotamente pagar a conta.

Como membro desta Assembléia Geral, quero que conste em ata que voto contra e que não reconheço mais estes senhores como meus legítimos representantes. E que declaro formalmente que detesto, abomino e amaldiçôo todos os que aprovaram (ilegitimamente) esta aberração. Declaro também minha aversão, horror e ódio ilimitado. Condeno, portanto, estes assaltantes de recursos públicos à perda da qualidade ou condição de ungidos. Em síntese, estão condenados à EXECRAÇÃO PÚBLICA. Para mim, entraram definitivamente na história do país. Pela porta dos fundos.

Não satisfeito, solicito ao Departamento Jurídico  que assessora esta Assembléia Geral (OAB e Ministério Público), que entre com todos os instrumentos disponíveis para embargo desta ilegítima tentativa de apropriar-se de mais uma parte do suor de todos nós.

Ou deixaremos esta tarefa exclusivamente para aquele abnegado punhado de estudantes que teve a coragem de subir a rampa do Planalto e protestar, aos gritos de “Não sou otário, tirando do meu bolso para pagar o seu salário” e “Você aí parado também foi roubado”?

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URGENTE: PRECISAMOS DE UM CHURCHILL

November 30th, 2010 2 comments

Os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro podem ser vistos por duas óticas. Uma de curto alcance: a vitória das forças policiais sobre os traficantes; outra de longo alcance: a possibilidade real de uma mudança sócio-comportamental de enormes proporções.

Mais do que “botar pra correr” uma chusma de bandidos, a ação combinada recobrou no Rio – e, por extensão, no país – o sentimento de que a mão forte da lei e do estado de direito é mais poderosa que as que empunham fuzis contrabandeados do Paraguai. O sentimento de que é possível acreditar em não ter mais “cidades proibidas” dentro das cidades. O povo apoiou, não só moralmente, mas ativamente, através do disque-denúncia. Uma grande onda de solidariedade e esperança se levantou.

O que fazer agora? Simplesmente instalar UPPs para manter os traficantes longe? Levar alguns serviços sociais, para mostrar a presença do Estado? Tudo isto é bom, mas é pouco, muito pouco, diante da extraordinária oportunidade de provocar uma mudança definitiva de mentalidades.

Precisamos agora que uma voz forte de liderança se faça ouvir, um verdadeiro Churchill capaz de mobilizar corações e mentes para levar a sociedade brasileira a um patamar civilizatório mais elevado. Hora de esta voz anunciar o tempo da mudança definitiva. De tocar o coração não só das pessoas de bem, mas especialmente daqueles que entraram “no desvio”: bandidos e traficantes, usuários de drogas, milicianos (não podemos nos esquecer da ferida que representam), policiais corruptos, juízes e políticos idem.

Hora de dizer, através de todos os meios, que basta de crimes e de ações delituosas de qualquer calibre:

  • dizer aos bandidos e traficantes que o tempo da barbárie acabou e que é tempo de mudarem o rumo de suas vidas; tempo de se reencontrar com a sociedade, reencontrar o fio de humanidade que dentro deles se esconde e se transformarem em cidadãos de bem; tempo de encontrarem prazer e alegria na conquista legítima de seus objetivos, ainda que por caminhos mais demorados; de criarem seus filhos em paz e deixarem que os outros também o façam;
  • dizer aos usuários de drogas que o tempo de cumplicidade – consciente ou inconsciente – com o crime acabou;
    • oferecer para aqueles que são (ou alegam ser) viciados uma oportunidade: cadastrarem-se num órgão da saúde pública para poder comprar legalmente uma porção mínima diária – a ser consumida em local fechado, apropriado – e/ou para submeter-se a um forte Programa de Reabilitação;
    • dizer-lhes que só existe oferta porque existe demanda e que, claramente, têm sido “receptadores” de mercadorias ilegais, sujeitos portanto às penas da lei (nosso paternalismo e complacência com os usuários – nem sempre pobres,  desinformados e vitimas – é, em boa parte, causa do cenário caótico a que chegamos);
  • dizer aos milicianos que o tempo de exploração do medo alheio e da coerção é passado; que é hora de resgatar a dignidade própria e a honra que no passado tiveram de verdadeiramente servir à sociedade;
  • dizer aos policiais corruptos que o tempo de abusar do poder que lhe foi conferido pela sociedade também é passado; que a arma que lhe foi entregue pela sociedade foi para que a protegesse e não para lhe dar o poder de achacar bandidos, seqüestrar cidadãos de bem, ser sócio da criminalidade e colocar-se acima do bem e do mal; que é hora de entender como uma elevada honra o mandato de guardião da sociedade que lhe foi conferido e que este requer dele não soberba, mas humildade; não rancor, mas firme serenidade;
    • junto com isto, anunciar que, de hoje em diante, a sociedade reconhece sua importância estratégica, estabelecendo que, juntamente com a profissão de professor – também estratégica – esta terá um salário nunca inferior ao de um deputado (que, muitas vezes, não merece o que ganha). De onde virá o dinheiro? Da recolha firme de recursos desviados nos inúmeros escândalos de governos vários, até agora vergonhosamente abafados; do cancelamento de mordomias (cartões corporativos, passagens aéreas, assessores mil, etc, etc), da caça aos funcionários fantasmas, das horas extras de fantasmas e de outros, muito “vivos”, do combate sem tréguas à sonegação, de uma mudança na tabela de IR, que faça com que os mais ricos paguem mais, de um imposto sobre herança, que se transforme em verba carimbada para os objetivos aqui propostos e outras medidas que nossa criatividade recomendar);
  • dizer aos políticos corruptos que o tempo de tratar como seu o bem público acabou; que o mandato a ele conferido é para representar os interesses do povo e não o seu próprio; que, mais do que a notoriedade social só conseguida através do roubo de milhões dos programas sociais, da merenda escolar, da educação e da saúde, vale a competência de entrar para a história do país pela porta da frente, com a honra e o reconhecimento pela defesa do bem comum; que drenar os recursos públicos para os cofres particulares é crime hediondo e, como tal, terá pena mínima de 20 anos, em regime fechado, sem direito a progressão de pena (um deboche social);
  • dizer aos juízes presos a conceitos anacrônicos de justiça e a firulas técnicas que é tempo de rever conceitos e se sintonizar com uma realidade que grita por eficiência e agilidade da justiça;
  • dizer aos juízes e advogados corruptos e venais que é esta a oportunidade de livrar-se da desonra e retornar ao caminho original, que nunca deveriam ter abandonado: o de garantir justiça e não impunidade;
  • dizer ao empresário e ao cidadão comum, especialmente aos cotidianamente “espertos”, aos que fazem pequenas e grandes falcatruas – jogar no bicho, fazer “gato” de luz, água e TV a cabo, corromper o guarda de trânsito, comprar DVDs piratas, pagar para passar processos na frente, dar propina, falsear licitações – que estas atitudes é que criam o caldo de cultura para todos os outros grandes abusos, cometidos em todas as esferas; que somente mudando a cultura de “o meu primeiro” é que se poderá ter o direito de clamar contra políticos corruptos, contra bandidos e traficantes, contra “tudo isto que está aí”.

O que pensar destas idéias: devaneios insentatos? Sonho? Loucura? Utopia?

“ O exemplo de Churchill e sua incendiária oratória permitiram-lhe manter a coesão espiritual do povo britânico nas horas de prova suprema que significaram os bombardeios sistemáticos da Alemanha sobre Londres e outras cidades do Reino Unido.”
(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Winston_Churchill ).

Era Churchill louco, insensato ou apenas conseguia desenhar mentalmente o futuro desejado e, compartilhando esta visão com seus concidadãos, lograr uni-los na construção daquele ideal?

“Nessa época, ele comandava a Inglaterra de um prédio de escritórios simples, que não fora projetado para seu conforto, passando as manhãs deitado na cama, tomando banho em um cômodo separado de seu quarto, de forma tal que às vezes oficiais ingleses encontravam-no andando pelo prédio seminu e molhado.” (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Winston_Churchill ).

O que dizer das fortunas gastas em palácios da justiça, em prédios do Banco Central, em palácios da alvorada e jaburu, em gabinetes suntuosos e séquito de assessores comissionados de que desfrutam as “lideranças” nacionais que, ao invés de ao sucesso, levaram a sociedade brasileira a um estado de miserabilidade social e material de tamanha dimensão (as imagens das favelas cariocas – como todas as demais, onde seres humanos se “entocam” como ratos, dá a dimensão real deste país, que se pretende tendo chegado ao primeiro mundo); sorvendo parasitariamente os recursos que deveriam ser destinados a professores e policiais, à educação e à saúde, à geração de empregos e ao provimento de dignidade de vida aos cidadãos, seqüestram de cada um o direito de viver dignamente e ser feliz, escarnecendo, com seus sinais exteriores de riqueza ilegitimamente obtida, daqueles que suam no dia a dia para entregar-lhes o quinto, que se transforma rapidamente em quarto, terço e já quase metade.

Precisamos de um Churchill imediatamente. Alguém que desperte em cada um e em todos os estratos sociais a esperança e o desejo de construir o mundo que sonhamos, assim como a vontade e o orgulho de sermos verdadeiramente humanos.

A oportunidade é de ouro para fazer história. Quem se habilita? Com a palavra, por exemplo, o Governador Sérgio Cabral, que o destino quis que estivesse na berlinda, neste momento especial. Se compreender a grandeza e potencialidade do momento, dará início a um “tsunami do bem”, que varrerá este país, arrebanhando adesões de outros governadores e lideranças em geral, e reacendendo esperanças por onde passar. A oportunidade é sua, Governador, e, se a deixar passar, será esquecido pela História.

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Esquisitices Eleitorais

September 21st, 2010 No comments

No passado, quem votou em Hélio Costa fez de Wellington Salgado Senador.

Hoje, quem vota em Fernando Pimentel elege Virgílio Guimarães, pois Pimentel (a ser eleita Dilma) é o primeiro ministeriável.

Quem vota em Aécio Neves, está elegendo Elmiro Nascimento Senador, pois espera-se que, dentro de 4 anos, Aécio seja candidato a Presidente.

Quem vota em Itamar Franco elege Zezé Perrela  – Presidente do Cruzeiro – como Senador, se Itamar for convocado para o Ministério por um eventual Presidente Serra.

Sem entrar no mérito da qualidade dos suplentes, há alguma coisa errada com esta prática. Na maior parte dos casos – talvez por mera coincidência? – os suplentes são milionários, que “ajudam” na campanha do candidato real e, por acaso – Oh, que surpresa – transformam-se em Senadores da República, sem ter um único voto, quando o titular sai para “servir ao país” em outra função. Qualquer semelhança com compra de cargo não parece mera coincidência. E a situação como um todo, propaganda enganosa. Ou não é proposital que o nome dos suplentes seja escrito sempre com letra miúda?

O fenômeno Tiririca levanta outra lebre. Quando ele ou Romário ou Mulher Melancia ou Frank Aguiar (no passado) são eleitos com milhões de votos, carregam consigo, por força da legislação, uma chusma de “terceiros” para a Câmara. Enquanto o pobre povo vota no “engraçadinho”, às vezes até para “demonstrar seu desprezo para com tudo isto aí”, está botando gatos e ratos para dentro de casa. Mais propaganda enganosa, fazendo do povo massa de manobra.

Nós somos a “Assembléia Geral”, órgão máximo de decisão do “Condomínio” chamado Brasil. Por quanto tempo ainda vamos permitir tais esquisitices, que nada de bom nos trazem? Para agora já não dá, mas não há por que continuar tal situação pelos séculos dos séculos, amém.

Mobilizemo-nos, como no “Ficha Limpa”, e as mudanças acontecerão.

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Minas Gerais 2010: compreendendo o momento eleitoral

September 20th, 2010 No comments

Prezados e Prezadas,

Dando sequência à reflexão que fiz,  em texto anterior, vai aí minha leitura da questão eleitoral em Minas Gerais, Estado onde vivo.

Para os muitos amigos e amigas dos outros estados, pode servir como parâmetro para avaliação de sua realidade. Mais uma vez, vão minhas desculpas por tratar publicamente de um tema de foro íntimo: voto.  A idéia é contribuir, apresentando uma visão sistêmica e supra-partidária.

Diferentemente do plano nacional – onde não consigo perceber claramente a existência de um projeto articulado para o país (somente políticas e ações esparsas, algumas muito boas, outras nem tanto), Minas Gerais é “governado” por um Planejamento Estratégico extremamente consistente. Tomei conhecimento disto e tive a certeza de que era algo robusto nos múltiplos contatos que tive e tenho a oportunidade de ter com órgãos e autoridades governamentais do Estado, por força do meu trabalho de Consultoria em Gestão Estratégica e Desenvolvimento Organizacional e por participar, voluntária ou profissionalmente, de diversas entidades, como a Amcham (durante alguns anos) e a Sucesu (desde 1997).

Há três anos, por exemplo, como representante da Sucesu-MG (uma entidade privada e apolítica – www.sucesumg.org.br ), envolvi-me e tornei-me um dos coordenadores do Programa de Capacitação em Gestão da Competitividade, direcionado a qualificar diretores de empresas de tecnologia sediadas em nosso Estado (dentro do Projeto Estruturador do APL de Software). Esta é UMA das CINCO ações previstas em UM dos 51 projetos estruturadores e das 11 áreas de resultado definidas para o Estado, no Planejamento Estratégico 2007-2023. Esta ação – em pleno e exitoso andamento –  é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – SECTES –  e a Sucesu, como representante do Setor de Informática,   foi escolhida como operadora do Programa, que tem metas muito bem definidas.

No contato estreito com o Secretário de Ciência e Tecnologia, com o Coordenador do Projeto do APL de Software e equipe da SECTES – responsáveis por esta ação- uma coisa fica patente: o pessoal “pula miúdo” para atingir  as metas estabelecidas. Se não o fizerem, além de terem que se explicar, “adeus bônus” ou até mesmo “adeus cargo”. Todas as Secretarias rezam pela mesma cartilha: as metas do Planejamento Estratégico. Com isto, os esforços feitos e os recursos dispendidos por todos os órgãos públicos e colaboradores são direcionados, monitorados e avaliados sistematicamente, como ocorre em qualquer boa empresa.

Para que tenham uma idéia, vai abaixo o quadro de Áreas de Resultado do Planejamento Estratégico do Estado (com destaque para a área onde está o projeto a que me referi):

Para os que se interessarem, a íntegra do Planejamento Estratégico do Estado – denominado Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado – está em

http://www.almg.gov.br/eventos/pmdi/pmdi.pdf

Tomar conhecimento deste documento e, especialmente, do fato de ser ele um instrumento real e efetivo de gestão do Estado, deixou-me muito esperançoso. Afinal, como escrevi no artigo que já citei no e-mail anterior, penso que uma gestão centrada em pessoas não tem nenhum futuro, mas sim uma gestão baseada em planejamento, em metas. O “eleito”, para mim,  deveria ser eleito para ser o GESTOR de um Planejamento Estratégico, construído com a contribuição dos mais legítimos representantes da sociedade.

Sabendo que Minas vem-se beneficiando altamente pelo cumprimento do que foi consensado na elaboração do Planejamento Estratégico e que vivemos um tempo de gestão profissionalizada, com objetivos, metas e remuneração por resultados – a meritocracia tão necessária -  preocupa-me a hipótese de entrada, neste momento, de um grupo com visão diferente – sem entrar no mérito pessoal de A ou B. Podemos voltar a uma época de voluntarismos e políticas erráticas ou de apelo mais popular e imediatista, que, ainda que possam ser bem intencionadas, nem de longe têm o poder transformador de uma gestão calcada em metodologias gerenciais de eficácia comprovada.

Como o candidato da oposição – com toda a certeza – não se sentirá comprometido com o Planejamento feito pelo “outro lado”, não acho de bom alvitre, neste caso, arriscar uma mudança. “Começar de novo” é uma bela música do Ivan Lins, mas, definitivamente,  não é o mais adequado para o momento que nosso Estado vive.

Assim, entendo que, em Minas, a opção deve ser pela continuidade. Não simplesmente por ser a “Gestão Aécio” ou “Gestão Anastasia” (mesmo sendo este o mentor intelectual do Planejamento Estratégico do Estado). A opção é pela continuidade de uma gestão profissionalizada e, especialmente, pela continuidade da execução do competente Planejamento Estratégico elaborado e em plena execução. Cabe a cada mineiro conhecê-lo bem e ficar sempre firme na vigilância do seu cumprimento.

Com apreço,

Lúcio Fonseca

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Brasil 2010: Compreendendo o momento eleitoral

September 19th, 2010 No comments

Prezados e prezadas,

Como podem conferir no texto que escrevi em maio de 2006 – “Gestão Pública: definindo o Norte para uma nau sem rumo” – http://www.ffdigital.com.br/?s=nau+sem+rumo – (corria um dos vários grandes escândalos que há séculos povoam a  gestão federal), não acredito no modelo de “democracia” e de gestão pública que temos. Independente do Presidente ou partido que esteja de plantão.

Assim, neste momento eleitoral, em que é delicado emitir opiniões (que facilmente serão confundidas com defesa do partido tal ou ataque ao partido tal), sinto-me no dever  de expor uma reflexão que tenho feito nos últimos dias. Vai por tópicos, para facilitar o raciocínio.

1. É inegável e admirável o sucesso de Lula – um operário que se torna presidente e passa a ser admirado em todo o mundo;

2. É inegável que o Brasil vive um bom momento, graças a vários fatores, sendo um deles a habilidade do Governo Lula em aproveitar o bom momento da economia mundial e de responder prontamente quando a crise chegou;

3. É inegável que a vida de muitos pobres melhorou (tenho muitas restrições em admitir isto, já que os bolsões de miséria continuam enormes, educação e saúde  terríveis e o maior poder de compra se dá por meios muito artificiais – bolsa família e crédito – uma forma crudelíssima de transferir renda do pobre para o rico, via juros escorchantes, escondidos sob prestações “que cabem no bolso”);

4.É inegável que o ambiente está muito bom para os negócios – mercado aquecido, muito serviço para todos (inclusive para mim).

Tudo está muito bom… Se fôssemos aplicar a máxima do futebol, “em time que está ganhando não se mexe”; toca, portanto, votar na candidata da continuidade…; simples assim, não?

Aí é que me pus a pensar: qual é o preço oculto que estamos pagando por tanta “coisa boa”? E me dei conta de que o preço é alto demais. Simplesmente, nosso país foi sorrateiramente sendo apropriado por um uma chusma de ladinos – ratos, ratazanas e camundongos – que atacam as vísceras do Estado brasileiro, sem pudor e sem limite, confortavelmente instalados nas entranhas da máquina estatal. Engordando às nossas custas, rindo da nossa ingenuidade em nos contentar com as migalhas que jogam para nós. Rindo da nossa ingenuidade, a cada desculpa que arranjam, quando a podridão aparece.

Sei que este cenário sempre foi assim, algumas vezes menos e algumas vezes mais intenso. Não é criação exclusiva deste governo (FHC, Collor e outros que o digam). No entanto, pensei: enquanto o modelo não muda, o mais prudente é, pelo menos, volta e meia desalojar os ratos de plantão. Até que outros tomem conta (o que sempre acontecerá, lamentavelmente), há uma trégua na sangria do seu, do meu, do nosso dinheiro. E ganhamos tempo para, quem sabe, por para funcionar a “democracia direta”, usando os recursos da Internet, como se viu na histórica vitória do “Ficha Limpa”.

Marina ou Serra? Ainda não sei. Só sei que, fundamentalmente, não muda muito, mas pelo menos tirará da zona de conforto aqueles que se refestelaram no poder e fazem orgias com o nosso suado dinheiro.

Em tempo:

1. minhas desculpas por entrar num tema tão sensível e tão pessoal. Minha opinião não é contra A ou B ou a favor de C ou D. É, sim, a favor de cada um de nós e de todos aqueles que suam muito para ganhar honestamente algum dinheiro, enquanto outros não suam nada para transferi-lo para o seu bolso. E ainda aprofundam a miséria dos miseráveis;

2. em outro artigo, exponho minha visão da situação, no Estado de Minas Gerais, onde vivo.

Com apreço,

Lúcio Fonseca

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Pandora é aqui

February 25th, 2010 No comments

Créditos fotos:

1 e 2: Mundo submarino – imagens da Internet, contidas no PPS Underwater – Adriana;

3 e 4: Lençóis Maranhenses e Floresta Amazônica: Lúcio Fonseca

A boa ficção científica tem este efeito: projetando-nos no futuro, faz-nos refletir sobre o presente.

Pandora – a lua de natureza luxuriante e em perfeita harmonia – mostrada no imperdível filme Avatar - é aqui. Faz sentido destruí-la por aboluta ignorância (produção desnecessária e descarte absolutamente inconsequente de lixo, esgotamento dos recursos oceânicos, matança dos rios por destruição das matas ciliares e lançamento de agrotóxicos, mercúrio e resíduos industriais) ou em troca de mais e mais dinheiro (concentrado em cada vez menos e menos bolsos)? Ignância: Ignorância associada à Ganância – problemas à vista (e a prazo). Sobram más notícias.

Um estudo inédito da ONU, revelado pelo jornal britânico Guardian, revelou que a poluição e outros danos ambientais causados pelas 3 mil maiores empresas de capital aberto do mundo em 2008 custaram US$ 2,2 trilhões.
(…)
Mais da metade desse montante é referente à emissão de gases causadores do efeito estufa. Entre os demais passivos ambientais, os principais são a poluição do ar e o uso elevado de água nos processos produtivos. (…)

Fonte: Portal do Meio Ambiente

Terra é incapaz de acompanhar ritmo atual de consumo de carnes e pescado

No topo absoluto da cadeia alimentar, os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca maciça está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera – o que precisa fazer com que mudemos de hábitos.

Alimentar a humanidade – nove bilhões de indivíduos atpé 2050, segundo as previsões da ONU – exigirá uma adaptação de nosso comportamento, sobretudo nos países mais ricos, que precisarão ajudar os países em desenvolvimento.

Um chinês que consumia 13,7 kg de carne em 1980, por exemplo, hoje come em média 59,5 kg por ano. Nos países desenvolvidos, o consumo chega a 80 kg per capita.(…)

Fonte: Portal do Meio Ambiente

Que cada um de nós incorpore rapidamente um Avatar capaz de sonhar e trabalhar decisivamente para que o desenvolvimento econômico e o progresso aconteçam de forma racional, sem achar que cada pedaço de terra ou de água tem que ser obrigatoriamente transformado em negócio. Um Avatar que faça jus ao título de animal RACIONAL , significando ter uma capacidade de visão sistêmica do universo, onde a vida humana é algo integrado e interdependente da vida e da presença dos demais seres, animados e inanimados. Significando, portanto, que é preciso controlar vigorosamente a explosão demográfica, sob pena de ficarmos sós – e inviabilizarmos nossa própria sobrevivência. Significando, por fim,  deixar de lado a infantil visão antropocêntrica, ou seja, de homem como centro do universo, com todos os seres submetidos às suas voluntariedades imperiais.

Olhemos em volta. Valorizemos a nossa Pandora e contribuamos para que continue a  encantar nossos sentidos. Ainda que tenhamos que abrir mão de um pouco mais de dinheiro, um pouco mais de quinquilharias, um pouco mais de comodismo.

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(Des)aquecimento global: pequenas atitudes individuais, grandes resultados gerais

January 2nd, 2010 No comments

Diante dos sérios problemas ambientais que assolam o planeta, podemos ter duas atitudes:
a) Noooó!! (susto e preocupação); ou
b) Mãos à obra! (consciência de que somos parte da solução).

Para a turma que quiser praticar o modo b de viver, é reproduzida abaixo uma lista de conselhos muito simples e práticos que podem fazer muita diferença. Ela foi traduzida e adaptada pelo ótimo site Mude o Mundo do original publicado pelo GlobalWarmingFacts.info. Confira e pratique (em casa e na empresa).

53 dicas práticas para você economizar energia e proteger o planeta

1.      Tampe suas panelas enquanto cozinha
Parece obvio, não é? E é mesmo! Ao tampar as panelas enquanto cozinha você aproveita o calor que simplesmente se perderia no ar.
2.        Use uma garrafa térmica com água gelada
Compre daquelas garrafas térmicas de acampamento, de 2 ou 5 litros. Abasteça-a de água bem gelada com uma bandeja de cubos de gelo pela manhã. Você terá água gelada até a noite e evitará o abre-fecha da geladeira toda vez que alguém quiser beber um copo dágu

3. Aprenda a cozinhar em panela de pressão
Acredite… dá pra cozinhar tudo em panela de pressão: Feijão, arroz, macarrão, carne, peixe etc… Muito mais rápido e economizando 70% de gás.

4. Cozinhe com fogo mínimo
Se você não faltou às aulas de física no 2º grau você sabe: Não adianta, por mais que você aumente o fogo, sua comida não vai cozinhar mais depressa, pois a água não ultrapassa 100ºC em uma panela comum. Com o fogo alto, você vai é queimar sua comida.

5. Antes de cozinhar, retire da geladeira todos os ingredientes de uma só vez
Evite o o abre-fecha da geladeira toda vez que seu cozido precisar de uma cebola, uma cenoura, etc…

6. Coma menos carne vermelha
A criação de bovinos é um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa. Não é piada. Você já sentiu aquele cheiro pavoroso quando você se aproximou de alguma fazenda/criação de gado? Pois é: É metano, um gás inflamável, poluente, e megafedorento. Além disso, a produção de carne vermelha demanda uma quantidade enorme de água. Para você ter uma idéia: Para produzir 1kg de carne vermelha é necessário 200 litros de água potável. O mesmo quilo de frango só consome 10 litros.

7. Não troque o seu celular
Já foi tempo que celular era sinal de status. Hoje em dia qualquer zé mané tem. Trocar por um mais moderno para tirar onda? Ninguém se importa. Fique com o antigo pelo menos enquanto estiver funcionando perfeitamente ou em bom estado. Se o problema é a bateria, considere o custo/benefício trocá-la e descartá-la adequadamente, encaminhando-a a postos de coleta. Celulares trouxeram muita comodidade à nossa vida, mas utilizam de derivados de petróleo em suas peças e metais pesados em suas baterias. Além disso, na maioria das vezes sua produção é feita utilizando mão de obra barata em países em desenvolvimento. Utilize seus gadgets até o final da vida útil deles, lembre-se de que eles certamente não foram nada baratos.

8. Compre um ventilador de teto
Nem sempre faz calor suficiente pra ser preciso ligar o ar condicionado. Na maioria das vezes um ventilador de teto é o ideal para refrescar o ambiente gastando 90% menos energia. Combinar o uso dos dois também é uma boa idéia. Regule seu ar condicionado para o mínimo e ligue o ventilador de teto.

9. Use somente pilhas e baterias recarregáveis
É certo que são caras, mas ao uso em médio e longo prazo elas se pagam com muito lucro. Duram anos e podem ser recarregadas em média 1000 vezes.

10. Limpe ou troque os filtros o seu ar condicionado
Um ar condicionado sujo representa 158 quilos de gás carbônico a mais na atmosfera por ano.

11. Troque suas lâmpadas incandescentes por fluorescentes
Lâmpadas fluorescentes gastam 60% menos energia que uma incandescente. Assim, você economizará 136 quilos de gás carbônico anualmente.

12. Escolha eletrodomésticos de baixo consumo energético
Procure por aparelhos com o selo do Procel (no caso de nacionais) ou Energy Star (no caso de importados).

13. Não deixe seus aparelhos em standby
Simplesmente desligue ou tire da tomada quando não estiver usando um eletrodoméstico. A função de standby de um aparelho usa cerca de 15% a 40% da energia consumida quando ele está em uso.

14. Mude sua geladeira ou freezer de lugar
Ao colocá-los próximos ao fogão, eles utilizam muito mais energia para compensar o ganho de temperatura. Mantenha-os afastados pelos menos 15cm das paredes para evitar o superaquecimento. Colocar roupas e tênis para secar atrás deles então, nem pensar!

15. Descongele geladeiras e freezers antigos a cada 15 ou 20 dias
O excesso de gelo reduz a circulação de ar frio no aparelho, fazendo que gaste mais energia para compensar. Se for o caso, considere trocar de aparelho. Os novos modelos consomem até metade da energia dos modelos mais antigos, o que subsidia o valor do eletrodoméstico a médio/longo prazo.

16. Use a máquina de lavar roupas/louça só quando estiverem cheias
Caso você realmente precise usá-las com metade da capacidade, selecione os modos de menor consumo de água. Se você usa lava-louças, não é necessário usar água quente para pratos e talheres pouco sujos. Só o detergente já resolve.

17. Retire imediatamente as roupas da máquina de lavar quando estiverem limpas
As roupas esquecidas na máquina de lavar ficam muito amassadas, exigindo muito mais trabalho e tempo para passar e consumindo assim muito mais energia elétrica

18. Tome banho de chuveiro
E de preferência, rápido. Um banho de banheira consome até quatro vezes mais energia e água que um chuveiro.

19. Use menos água quente
Aquecer água consome muita energia. Para lavar a louça ou as roupas, prefira usar água morna ou fria.

20.  Pendure ao invés de usar a secadora
Você pode economizar mais de 317 quilos de gás carbônico se pendurar as roupas durante metade do ano ao invés de usar a secadora.

21. Nunca é demais lembrar: recicle
Recicle no trabalho e em casa. Se a sua cidade ou bairro não tem coleta seletiva, leve o lixo até um posto de coleta. Existem vários na rede Pão de Açúcar. Lembre-se de que o material reciclável deve ser lavado (no caso de plásticos, vidros e metais) e dobrado (papel).

22. Faça compostagem
Cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico. Aprenda a fazer compostagem: além de reduzir o problema, você terá um jardim saudável e bonito.

23. Reduza o uso de embalagens
Embalagem menor é sinônimo de desperdício de água, combustível e recursos naturais. Prefira embalagens maiores, de preferência com refil. Evite ao máximo comprar água em garrafinhas, leve sempre com você a sua própria.

24.  Compre papel reciclado
Produzir papel reciclado consome de 70 a 90% menos energia do que o papel comum, e poupa nossas florestas.

25.  Utilize uma sacola para as compras
Sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio-ambiente. Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar. Quando for ao supermercado, leve uma sacola de feira ou suas próprias sacolinhas plásticas.

26.  Plante uma árvore
Uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde.

27.  Compre alimentos produzidos na sua região
Fazendo isso, além de economizar combustível, você incentiva o crescimento da sua comunidade, bairro ou cidade.

28.  Compre alimentos frescos ao invés de congelados
Comida congelada além de mais cara, consome até 10 vezes mais energia para ser produzida. É uma praticidade que nem sempre vale a pena.

29.   Compre orgânicos
Por enquanto, alimentos orgânicos são um pouco mais caros pois a demanda ainda é pequena no Brasil. Mas você sabia que, além de não usar agrotóxicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera que a agricultura “tradicional”? Se toda a produção de soja e milho dos EUA fosse orgânica, cerca de 240 bilhões de quilos de gás carbônico seriam removidos da atmosfera. Portanto, incentive o comércio de orgânicos para que os preços possam cair com o tempo.

30.  Ande menos de carro
Use menos o carro e mais o transporte coletivo (ônibus, metrô) ou o limpo (bicicleta ou a pé). Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano.

31.  Não deixe o bagageiro vazio em cima do carro
Qualquer peso extra no carro causa aumento no consumo de combustível. Um bagageiro vazio gasta 10% a mais de combustível, devido ao seu peso e aumento da resistência do ar.

32.        Mantenha seu carro regulado
Calibre os pneus a cada 15 dias e faça uma revisão completa a cada seis meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante. Carros regulados poluem menos. A manutenção correta de apenas 1% da frota de veículos mundial representa meia tonelada de gás carbônico a menos na atmosfera.

33.   Lave o carro a seco
Existem diversas opções de lavagem sem água, algumas até mais baratas do que a lavagem tradicional, que desperdiça centenas de litros a cada lavagem. Procure no seu posto de gasolina ou no estacionamento do shopping.

34.  Quando for trocar de carro, escolha um modelo menos poluente
Apesar da dúvida sobre o álcool ser menos poluente que a gasolina ou não, existem indícios de que parte do gás carbônico emitido pela sua queima é reabsorvida pela própria cana de açúcar plantada. Carros menores e de motor 1.0 poluem menos. Em cidades como São Paulo, onde no horário de pico anda-se a 10km/h, não faz muito sentido ter carros grandes e potentes para ficar parados nos congestionamentos.

35.  Use o telefone ou a Internet
A quantas reuniões de 15 minutos você já compareceu esse ano, para as quais teve que dirigir por quase uma hora para ir e outra para voltar? Usar o telefone ou skype pode poupar você de stress, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera.

36. Voe menos, reúna-se por videoconferência
Reuniões por videoconferência são tão efetivas quanto as presenciais. E deixar de pegar um avião faz uma diferença significativa para a atmosfera.

37.        Economize CDs e DVDs
CDs e DVDs sem dúvida são mídias eficientes e baratas, mas você sabia que um CD leva cerca de 450 anos para se decompor e que, ao ser incinerado, ele volta como chuva ácida (como a maioria dos plásticos)? Utilize mídias regraváveis, como CD-RWs, drives USB ou mesmo e-mail ou FTP para carregar ou partilhar seus arquivos. Hoje em dia, são poucos arquivos que não podem ser disponibilizados virtualmente ao invés de em mídias físicas.

38.  Proteja as florestas
Por anos os ambientalistas foram vistos como “eco-chatos”. Mas em tempos de aquecimento global, as árvores precisam de mais defensores do que nunca. O papel delas no aquecimento global é crítico, pois mantém a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera.

39. Considere o impacto de seus investimentos
O dinheiro que você investe não rende juros sozinho. Isso só acontece quando ele é investido em empresas ou países que dão lucro. Na onda da sustentabilidade, vários bancos estão considerando o impacto ambiental das empresas em que investem o dinheiro dos seus clientes. Informe-se com o seu gerente antes de escolher o melhor investimento para você e o meio ambiente.

40.        Informe-se sobre a política ambiental das empresas que você contrata
Seja o banco onde você investe ou o fabricante do shampoo que utiliza, todas as empresas deveriam ter políticas ambientais claras para seus consumidores. Ainda que a prática esteja se popularizando, muitas empresas ainda pensam mais nos lucros e na imagem institucional do que em ações concretas. Por isso, não olhe apenas para as ações que a empresa promove, mas também a sua margem de lucro alardeada todos os anos. Será mesmo que eles estão colaborando tanto assim?

41.        Desligue o computador
Muita gente tem o péssimo hábito de deixar o computador de casa ou da empresa ligado ininterruptamente, às vezes fazendo downloads, às vezes simplesmente por comodidade. Desligue o computador sempre que for ficar mais de 2 horas sem utilizá-lo e o monitor por até quinze minutos.

42.        Considere trocar seu monitor
O maior responsável pelo consumo de energia de um computador é o monitor. Monitores de LCD são mais econômicos, ocupam menos espaço na mesa e estão ficando cada vez mais baratos. O que fazer com o antigo? Doe a instituições como o Comitê para a Democratização da Informática.

43.        No escritório, desligue o ar condicionado uma hora antes do final do expediente
Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que equivale a quase um mês de economia no final do ano. Além disso, no final do expediente a temperatura começa a ser mais amena.

44.        Não permita que as crianças brinquem com água
Banho de mangueira, guerrinha de balões de água e toda sorte de brincadeiras com água são sem dúvida divertidas, mas passam a equivocada idéia de que a água é um recurso infinito, justamente para aqueles que mais precisam de orientação, as crianças. Não deixe que seus filhos brinquem com água, ensine a eles o valor desse bem tão precioso.

45.        No hotel, economize toalhas e lençois
Use o bom senso… Você realmente precisa de uma toalha nova todo dia? Você é tão imundo assim? Em hotéis, o hóspede tem opção de não ter as toalhas trocadas diariamente, para economizar água e energia. Trocar uma vez a cada 3 dias já está de bom tamanho. O mesmo vale para os lençois, a não ser que você mije na cama…

46.        Participe de ações virtuais
A Internet é uma arma poderosa na conscientização e mobilização das pessoas. Um exemplo é o site ClickÁrvore, que planta árvores com a ajuda dos internautas. Informe-se e aja!

47.        Instale uma válvula na sua descarga
Instale uma válvula para regular a quantidade de água liberada no seu vaso sanitário: mais quantidade para o número 2, menos para o número 1!

48.        Não peça comida para viagem
Se você já foi até o restaurante ou à lanchonete, que tal sentar um pouco e curtir sua comida ao invés de pedir para viagem? Assim você economiza as embalagens de plástico e isopor utilizadas.

49.        Regue as plantas à noite
Ao regar as plantas à noite ou de manhãzinha, você impede que a água se perca na evaporação, e também evita choques térmicos que podem agredir suas plantas.

50.        Frequente restaurantes naturais/orgânicos
Com o aumento da consciência para a preservação ambiental, uma gama enorme de restaurantes naturais, orgânicos e vegetarianos está se espalhando pelas cidades. Ainda que você não seja vegetariano, experimente os novos sabores que essa onda verde está trazendo e assim estará incentivando o mercado de produtos orgânicos, livres de agrotóxicos e menos agressivos ao meio-ambiente.

51.        Vá de escada
Para subir até dois andares ou descer três, que tal ir de escada? Além de fazer exercício, você economiza energia elétrica dos elevadores.

52.        Faça sua voz ser ouvida pelos seus representantes
Use a Internet, cartas ou telefone para falar com os seus representantes em sua cidade, estado e país. Mobilize-se e certifique-se de que os seus interesses – e de todo o planeta – sejam atendidos.

53.        Divulgue essa lista!
Envie essa lista por e-mail para seus amigos, divulgue o link do post no seu blog ou orkut, reproduza-a livremente, e, quando possível, cite a fonte. O Mude o Mundo agradece, e o planeta também!

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Cop 15: buscando a saída do beco

December 9th, 2009 No comments

A partir da Revolução Industrial, o mundo entrou num ciclo de desenvolvimento vertiginoso, cujos benefícios são inegáveis, mas com efeitos colaterais inimagináveis. Simplesmente, estamos “contratando” a destruição da casa que nos abriga, ao sobrepor o interesse econômico – importante e necessário – aos interesses ambientais e sociais, que são vitais para a sobrevivência e a qualidade de vida.

Afrontando os interesses ambientais, exaurimos os recursos naturais, poluímos os rios, devastamos a biodiversidade e expelimos quantidades exponencialmente crescentes de gases do efeito estufa, provocando artificialmente o aquecimento do planeta e, consequentemente, dramáticas mudanças climáticas. Tal desvario, já não há mais dúvidas, ameaça concretamente a existência da vida – inclusive humana – na Terra. Um triste espetáculo de ignância.

Afrontando os interesses sociais, ao permitir, por exemplo, que alimentos sejam considerados commodities tão especuláveis na Bolsa quanto quaisquer outras, condenamos milhões à escassez ou privação, construindo um ambiente não só desumano, mas potencialmente explosivo. Acreditando que o desenvolvimento é um imperativo inexorável, entramos num beco (quase) sem saída. Alertas têm sido dados aos montes, mas a ignância (mistura da ignorância com a ganância) ainda impede que providências sejam tomadas, no ritmo urgente que se faz necessário, e que se coloque o freio do bom senso na corrida alucinada rumo ao abismo.

Para discutir toda esta problemática e tentar encontrar uma saída do beco em que nos metemos, dirigentes de quase todos os países do mundo (Estados Unidos incluídos – Aleluia!), cientistas e ONGs estão reunidos em Copenhagen. Não vai ser fácil um acordo, pois reverter o paradigma de que “o desenvolvimento não pode parar” é missão árdua. Sem querer ser trágico, lembra-me a cena da orquestra insistindo em tocar enquanto o Titanic afunda…

A par dos paradigmas a serem quebrados, há outras armadilhas, como a de achar que basta trocar energia fóssil por energia renovável e continuar pisando no acelerador. Na verdade, a questão não se restringe a mudar de energia fóssil para energia renovável, mas a uma necessidade mais ampla de rever um modelo de vida essencialmente predatório, de forma a reduzir drasticamente o consumo do supérfluo e a demanda de energia e, assim, diminuir a pressão sobre os recursos naturais e os efeitos danosos ao planeta.

No bojo da discussão de metas de redução de emissões, esta questão deverá surgir. É necessário que surja. Só de estar sendo discutida, já significará um raio de esperança. Mas não nos iludamos: além das ações governamentais, as atitudes individuais vão contar muito (afinal, o problema somos nós). Pense nisso. E comece já: olhando para o seu guarda-roupas (para ver se precisa mesmo de mais aquela calça, camisa, sapato…), deixando o carro mais em casa que rodando, economizando energia elétrica, resistindo aos apelos do consumo pelo consumo (acredite: você tem muito valor, mesmo se não usar a grife XYZ) , dando destinação adequada às baterias e ao lixo em geral, diminuindo o uso de sacos e embalagens plásticas, pedindo às pessoas que, ao invés de te darem presentes no aniversário ou no Natal, façam uma doação para uma causa ambiental ou para quem necessite do básico, etc, etc, etc.
Lúcio Fonseca
Consultoria & Palestras

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Implantar um ERP ou escalar o Everest: da euforia ao drama; do drama à satisfação

November 30th, 2009 No comments

Informatizar a organização, para “ter informação na ponta dos dedos”, é como realizar o sonho de ver o mundo do topo do Everest: visão ampla, abrangente, sistêmica, e com domínio dos detalhes.

Mas, assim como não se resolve, numa 6ª feira à tarde, que “já que não tenho nada pra fazer no fim de semana, vou escalar o Everest”, para implantar sistemas informatizados robustos e sofisticados, como os ERP – Enterprise Resource Planning, considerados como a base necessária para a o desenvolvimento da “inteligência dos negócios”, é .preciso preparar-se. E muito bem.

Não são poucos os casos de insucesso e de decepção com a implantação de sistemas em geral e do ERP, em particular. Aqui vão algumas das muitas e duras lições aprendidas, durante o período em que fui Diretor de Tecnologia de uma grande organização, não sobre como escalar o Everest, mas de como implantar sistemas com sucesso.

ERP: o que é e por que sua empresa precisa dele

“Em Deus, nós acreditamos. Todos os outros que tragam os dados.” (Deming)

Ter “informação na ponta dos dedos” não é um exotismo, mas uma necessidade básica, nos tão competitivos tempos atuais. Bill Gates, em seu livro “A empresa na velocidade do pensamento”, mostra com clareza a possibilidade (e as vantagens) de a empresa estruturar um “sistema nervoso digital”, capaz de “informar ao cérebro”, no mesmo instante em que acontecem, os eventos que poderão representar riscos ou oportunidades para a organização.

O ERP – Enterprise Resource Planning – ou “Sistema de Gestão Integrado”, ou ainda “Sistema de Gestão Empresarial”, como é mais conhecido no Brasil, controla a Folha de Pagamento, o Almoxarifado, a Contabilidade, Contas a Pagar e muitos outros processos empresariais, de maneira integrada. Ou seja, a informação é inserida apenas uma vez no sistema e transita automaticamente por todas as áreas do mesmo, disparando também automaticamente processos correlatos. Mas não é só o que faz: normalmente, é a base sobre a qual se assentam vários outros sistemas, como o CRM, Data Warehouse, Business Intelligence e uma gama enorme de sistemas de atendimento, controle, E-Business e tantos outros que vão alavancar a produtividade e competitividade da empresa.

Um roteiro passo a passo para escolha e implantação de um ERP

” Lembrai-vos de que as grandes proezas da história foram conquistas do que parecia impossível.” (Charles Chaplin)

PASSO 1: Conhece-te a ti mesmo
Antes de partir para a escolha e implementação de um ERP, faça, com a equipe, um trabalho de levantamento, crítica e descrição formal de todos os procedimentos, regras e processos de trabalho existentes e que serão informatizados (para não correr o risco de automatizar o que está errado, gerando prejuízos… mais rapidamente). Uniformize procedimentos e regras de negócio e padronize os processos.

Conheça também o nível de expectativa da alta administração e dos usuários com relação ao projeto que têm pela frente. É comum que se pense que um sistema é uma ferramenta mágica para solução fácil de todos os problemas, sem esforço. Nada mais irreal: “o paraíso não existe”. Coloque as expectativas na dimensão real: é bom, é útil, mas requer muitos pré-requisitos para que dê o retorno desejado.

PASSO 2: Desenhe o “sistema de informação” da empresa
“Aquele que deseja construir torres altas dever permanecer longo tempo nos fundamentos.” – Anton Bruckner (1824-1896)
Cabe à alta administração e às chefias informar à área técnica, com antecedência, que indicadores de desempenho desejarão controlar e em que formato: Planilha? Gráfico? Relatório?

Cabe à área técnica disponibilizar a informação da maneira mais fácil e intuitiva possível para o usuário, trabalhando para que ele possa ser cada vez mais autônomo.

PASSO 3: Escolha um ERP compatível com suas necessidades e realidade e produzido por empresa confiável

“O que se promete e não se cumpre é recebido como afronta pelo superior, como injustiça pelo igual e como tirania pelo inferior; sendo assim, é importante e prudente que a língua não se aventure a oferecer o que não se sabe se poderá cumprir.” (Diogo de Saavedra)

Só depois de conhecer e arrumar previamente a casa e saber claramente de que tipo de informação e controles se irá necessitar, é que é hora de pensar na escolha do ERP.

Sistemas podem ser desenvolvidos “em casa” ou serem adquiridos de empresas especializadas, pequenas ou grandes. Para cada uma destas escolhas, há pontos a favor e contra, que não cabe aqui discutir.

Se você se decidir por adotar um “sistema de mercado” (tenho razões para considerar esta a decisão mais adequada), faça um levantamento e triagem de várias alternativas (incluindo a robustez e credibilidade dos fornecedores), com a ajuda de especialistas (recomendável) e selecione as três melhores. Submeta as três escolhidas, separadamente, a análise de seus USUÁRIOS-CHAVES. Ninguém melhor do que quem vai usar para dizer o que atende e o que não atende; (é muito importante também que o usuário se sinta o “dono” do sistema e não que o mesmo é algo que lhe foi imposto)

PASSO 4: Faça uma implantação profissional

Implantar um sistema não é instalar um sistema. O processo leva sempre a uma enorme mudança organizacional. Processos de negócio são alterados, pessoas são deslocadas (ou até mesmo demitidas), formas de trabalhar mudam inteiramente. Diante de toda proposta de mudança, as pessoas costumam, normalmente, percorrer o “Caminho de SARA”: primeiro, Shock (choque), depois Angry (raiva), em seguida Reaction (reação, resistência) até, finalmente, a Acceptance (aceitação).

É preciso que a coordenação do projeto de implantação atue, em cada uma das etapas deste “caminho”, para diminuir o “choque” (muita informação preliminar), permitir que a “raiva” se manifeste e, assim, se possa trabalhá-la; trabalhar as “resistências” explícitas e não explícitas (as mais difíceis) e acelerar o processo de “aceitação”, reconhecendo publicamente aqueles que estão avançando e apoiando fortemente os que demonstram dificuldades.

O custo do projeto não é só a aquisição do sistema. Reserve um valor significativo do orçamento do projeto para o processo de implantação, com um número suficiente de horas, e também para a montagem da infra-estrutura. (equipamentos, links de comunicação, etc)

O Consultor deve conhecer bem não só o sistema, mas também o negócio da empresa cliente. As metas de prazo e de custo devem ser perseguidas obsessivamente (um grande percentual de projetos de implantação falha em algum – ou ambos – desses aspectos).
Oriente a equipe para não fazer solicitação de customizações/ajustes durante implantação (sob pena de nunca acabar a implantação e de “deformar” o sistema).

PASSO 5: Antecipe-se e enfrente com naturalidade, inteligência e firmeza as dificuldades que certamente aparecerão

“As facilidades iludem e enfraquecem, as dificuldades ensinam e fortalecem”
(Santo Inácio de Loyola)

Dificuldades (muitas) são esperáveis num processo de implantação de sistemas. Algumas têm origem nas questões tecnológicas (talvez 20%) – integração com outros sistemas, funcionalidades insuficientes, bugs (todos têm) – , mas a grande maioria tem a ver com o fator humano: qualificação tecnológica precária dos usuários – capacite; resistência à mudança de processos (apresente bons motivos) –saudades do sistema antigo – com paciência, relembre suas limitações e ressalte as vantagens do novo; insegurança e medo de demissão – apóie e informe, com honestidade.

Para diminuir as dificuldades naturais num processo de implantação, consiga um “padrinho” (sponsor), comprometido, da alta administração. Obtenha também o COMPROMETIMENTO dos usuários. Identifique e oficialize um “usuário master”, um profissional entusiasmado com o projeto e que seja referência para os demais. Tenha atenção permanente ao “clima” e dê suporte imediato às dificuldades. Procure perceber e trabalhar rapidamente as resistências, as inseguranças e fragilidades, dando apoio efetivo a quem necessite, ou seja, cuidando bem das pessoas. Dê informação contínua sobre o status do projeto e substitua a relação cliente-fornecedor por parceiro-parceiro

A grande lição aprendida: implantar um ERP é como fazer uma expedição de escalada do Everest…

Não importa se você vai escalar o Everest, desenvolver um projeto qualquer em sua empresa ou, mais especificamente, implantar um ERP. Em qualquer caso, será preciso: preparação e planejamento; suporte especializado e profissional; equipamento adequado; preparo técnico (e físico); espírito de equipe; espírito de aventura e fair play; liderança efetiva e 2 P: Paciência e Persistência

Todos nos deparamos com montanhas que parecem intransponíveis …com um planejamento minucioso, muita força de vontade, iniciativa e criatividade, todas as barreiras podem ser rompidas.
(WALDEMAR NICLEVICZ, primeiro brasileiro a escalar o Everest)

Sucesso na sua “escalada”!

* LÚCIO FONSECA
Consultor organizacional e palestrante
Diretor de Assuntos Estratégicos da Sucesu-MG
lucio@luciofonseca.com.br