(Des)aquecimento global: pequenas atitudes individuais, grandes resultados gerais

January 2nd, 2010

Diante dos sérios problemas ambientais que assolam o planeta, podemos ter duas atitudes:
a) Noooó!! (susto e preocupação); ou
b) Mãos à obra! (consciência de que somos parte da solução).

Para a turma que quiser praticar o modo b de viver, é reproduzida abaixo uma lista de conselhos muito simples e práticos que podem fazer muita diferença. Ela foi traduzida e adaptada pelo ótimo site Mude o Mundo do original publicado pelo GlobalWarmingFacts.info. Confira e pratique (em casa e na empresa).

53 dicas práticas para você economizar energia e proteger o planeta

1.      Tampe suas panelas enquanto cozinha
Parece obvio, não é? E é mesmo! Ao tampar as panelas enquanto cozinha você aproveita o calor que simplesmente se perderia no ar.
2.        Use uma garrafa térmica com água gelada
Compre daquelas garrafas térmicas de acampamento, de 2 ou 5 litros. Abasteça-a de água bem gelada com uma bandeja de cubos de gelo pela manhã. Você terá água gelada até a noite e evitará o abre-fecha da geladeira toda vez que alguém quiser beber um copo dágu

3. Aprenda a cozinhar em panela de pressão
Acredite… dá pra cozinhar tudo em panela de pressão: Feijão, arroz, macarrão, carne, peixe etc… Muito mais rápido e economizando 70% de gás.

4. Cozinhe com fogo mínimo
Se você não faltou às aulas de física no 2º grau você sabe: Não adianta, por mais que você aumente o fogo, sua comida não vai cozinhar mais depressa, pois a água não ultrapassa 100ºC em uma panela comum. Com o fogo alto, você vai é queimar sua comida.

5. Antes de cozinhar, retire da geladeira todos os ingredientes de uma só vez
Evite o o abre-fecha da geladeira toda vez que seu cozido precisar de uma cebola, uma cenoura, etc…

6. Coma menos carne vermelha
A criação de bovinos é um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa. Não é piada. Você já sentiu aquele cheiro pavoroso quando você se aproximou de alguma fazenda/criação de gado? Pois é: É metano, um gás inflamável, poluente, e megafedorento. Além disso, a produção de carne vermelha demanda uma quantidade enorme de água. Para você ter uma idéia: Para produzir 1kg de carne vermelha é necessário 200 litros de água potável. O mesmo quilo de frango só consome 10 litros.

7. Não troque o seu celular
Já foi tempo que celular era sinal de status. Hoje em dia qualquer zé mané tem. Trocar por um mais moderno para tirar onda? Ninguém se importa. Fique com o antigo pelo menos enquanto estiver funcionando perfeitamente ou em bom estado. Se o problema é a bateria, considere o custo/benefício trocá-la e descartá-la adequadamente, encaminhando-a a postos de coleta. Celulares trouxeram muita comodidade à nossa vida, mas utilizam de derivados de petróleo em suas peças e metais pesados em suas baterias. Além disso, na maioria das vezes sua produção é feita utilizando mão de obra barata em países em desenvolvimento. Utilize seus gadgets até o final da vida útil deles, lembre-se de que eles certamente não foram nada baratos.

8. Compre um ventilador de teto
Nem sempre faz calor suficiente pra ser preciso ligar o ar condicionado. Na maioria das vezes um ventilador de teto é o ideal para refrescar o ambiente gastando 90% menos energia. Combinar o uso dos dois também é uma boa idéia. Regule seu ar condicionado para o mínimo e ligue o ventilador de teto.

9. Use somente pilhas e baterias recarregáveis
É certo que são caras, mas ao uso em médio e longo prazo elas se pagam com muito lucro. Duram anos e podem ser recarregadas em média 1000 vezes.

10. Limpe ou troque os filtros o seu ar condicionado
Um ar condicionado sujo representa 158 quilos de gás carbônico a mais na atmosfera por ano.

11. Troque suas lâmpadas incandescentes por fluorescentes
Lâmpadas fluorescentes gastam 60% menos energia que uma incandescente. Assim, você economizará 136 quilos de gás carbônico anualmente.

12. Escolha eletrodomésticos de baixo consumo energético
Procure por aparelhos com o selo do Procel (no caso de nacionais) ou Energy Star (no caso de importados).

13. Não deixe seus aparelhos em standby
Simplesmente desligue ou tire da tomada quando não estiver usando um eletrodoméstico. A função de standby de um aparelho usa cerca de 15% a 40% da energia consumida quando ele está em uso.

14. Mude sua geladeira ou freezer de lugar
Ao colocá-los próximos ao fogão, eles utilizam muito mais energia para compensar o ganho de temperatura. Mantenha-os afastados pelos menos 15cm das paredes para evitar o superaquecimento. Colocar roupas e tênis para secar atrás deles então, nem pensar!

15. Descongele geladeiras e freezers antigos a cada 15 ou 20 dias
O excesso de gelo reduz a circulação de ar frio no aparelho, fazendo que gaste mais energia para compensar. Se for o caso, considere trocar de aparelho. Os novos modelos consomem até metade da energia dos modelos mais antigos, o que subsidia o valor do eletrodoméstico a médio/longo prazo.

16. Use a máquina de lavar roupas/louça só quando estiverem cheias
Caso você realmente precise usá-las com metade da capacidade, selecione os modos de menor consumo de água. Se você usa lava-louças, não é necessário usar água quente para pratos e talheres pouco sujos. Só o detergente já resolve.

17. Retire imediatamente as roupas da máquina de lavar quando estiverem limpas
As roupas esquecidas na máquina de lavar ficam muito amassadas, exigindo muito mais trabalho e tempo para passar e consumindo assim muito mais energia elétrica

18. Tome banho de chuveiro
E de preferência, rápido. Um banho de banheira consome até quatro vezes mais energia e água que um chuveiro.

19. Use menos água quente
Aquecer água consome muita energia. Para lavar a louça ou as roupas, prefira usar água morna ou fria.

20.  Pendure ao invés de usar a secadora
Você pode economizar mais de 317 quilos de gás carbônico se pendurar as roupas durante metade do ano ao invés de usar a secadora.

21. Nunca é demais lembrar: recicle
Recicle no trabalho e em casa. Se a sua cidade ou bairro não tem coleta seletiva, leve o lixo até um posto de coleta. Existem vários na rede Pão de Açúcar. Lembre-se de que o material reciclável deve ser lavado (no caso de plásticos, vidros e metais) e dobrado (papel).

22. Faça compostagem
Cerca de 3% do metano que ajuda a causar o efeito estufa é gerado pelo lixo orgânico doméstico. Aprenda a fazer compostagem: além de reduzir o problema, você terá um jardim saudável e bonito.

23. Reduza o uso de embalagens
Embalagem menor é sinônimo de desperdício de água, combustível e recursos naturais. Prefira embalagens maiores, de preferência com refil. Evite ao máximo comprar água em garrafinhas, leve sempre com você a sua própria.

24.  Compre papel reciclado
Produzir papel reciclado consome de 70 a 90% menos energia do que o papel comum, e poupa nossas florestas.

25.  Utilize uma sacola para as compras
Sacolinhas plásticas descartáveis são um dos grandes inimigos do meio-ambiente. Elas não apenas liberam gás carbônico e metano na atmosfera, como também poluem o solo e o mar. Quando for ao supermercado, leve uma sacola de feira ou suas próprias sacolinhas plásticas.

26.  Plante uma árvore
Uma árvore absorve uma tonelada de gás carbônico durante sua vida. Plante árvores no seu jardim ou inscreva-se em programas como o SOS Mata Atlântica ou Iniciativa Verde.

27.  Compre alimentos produzidos na sua região
Fazendo isso, além de economizar combustível, você incentiva o crescimento da sua comunidade, bairro ou cidade.

28.  Compre alimentos frescos ao invés de congelados
Comida congelada além de mais cara, consome até 10 vezes mais energia para ser produzida. É uma praticidade que nem sempre vale a pena.

29.   Compre orgânicos
Por enquanto, alimentos orgânicos são um pouco mais caros pois a demanda ainda é pequena no Brasil. Mas você sabia que, além de não usar agrotóxicos, os orgânicos respeitam os ciclos de vida de animais, insetos e ainda por cima absorvem mais gás carbônico da atmosfera que a agricultura “tradicional”? Se toda a produção de soja e milho dos EUA fosse orgânica, cerca de 240 bilhões de quilos de gás carbônico seriam removidos da atmosfera. Portanto, incentive o comércio de orgânicos para que os preços possam cair com o tempo.

30.  Ande menos de carro
Use menos o carro e mais o transporte coletivo (ônibus, metrô) ou o limpo (bicicleta ou a pé). Se você deixar o carro em casa 2 vezes por semana, deixará de emitir 700 quilos de poluentes por ano.

31.  Não deixe o bagageiro vazio em cima do carro
Qualquer peso extra no carro causa aumento no consumo de combustível. Um bagageiro vazio gasta 10% a mais de combustível, devido ao seu peso e aumento da resistência do ar.

32.        Mantenha seu carro regulado
Calibre os pneus a cada 15 dias e faça uma revisão completa a cada seis meses, ou de acordo com a recomendação do fabricante. Carros regulados poluem menos. A manutenção correta de apenas 1% da frota de veículos mundial representa meia tonelada de gás carbônico a menos na atmosfera.

33.   Lave o carro a seco
Existem diversas opções de lavagem sem água, algumas até mais baratas do que a lavagem tradicional, que desperdiça centenas de litros a cada lavagem. Procure no seu posto de gasolina ou no estacionamento do shopping.

34.  Quando for trocar de carro, escolha um modelo menos poluente
Apesar da dúvida sobre o álcool ser menos poluente que a gasolina ou não, existem indícios de que parte do gás carbônico emitido pela sua queima é reabsorvida pela própria cana de açúcar plantada. Carros menores e de motor 1.0 poluem menos. Em cidades como São Paulo, onde no horário de pico anda-se a 10km/h, não faz muito sentido ter carros grandes e potentes para ficar parados nos congestionamentos.

35.  Use o telefone ou a Internet
A quantas reuniões de 15 minutos você já compareceu esse ano, para as quais teve que dirigir por quase uma hora para ir e outra para voltar? Usar o telefone ou skype pode poupar você de stress, além de economizar um bom dinheiro e poupar a atmosfera.

36. Voe menos, reúna-se por videoconferência
Reuniões por videoconferência são tão efetivas quanto as presenciais. E deixar de pegar um avião faz uma diferença significativa para a atmosfera.

37.        Economize CDs e DVDs
CDs e DVDs sem dúvida são mídias eficientes e baratas, mas você sabia que um CD leva cerca de 450 anos para se decompor e que, ao ser incinerado, ele volta como chuva ácida (como a maioria dos plásticos)? Utilize mídias regraváveis, como CD-RWs, drives USB ou mesmo e-mail ou FTP para carregar ou partilhar seus arquivos. Hoje em dia, são poucos arquivos que não podem ser disponibilizados virtualmente ao invés de em mídias físicas.

38.  Proteja as florestas
Por anos os ambientalistas foram vistos como “eco-chatos”. Mas em tempos de aquecimento global, as árvores precisam de mais defensores do que nunca. O papel delas no aquecimento global é crítico, pois mantém a quantidade de gás carbônico controlada na atmosfera.

39. Considere o impacto de seus investimentos
O dinheiro que você investe não rende juros sozinho. Isso só acontece quando ele é investido em empresas ou países que dão lucro. Na onda da sustentabilidade, vários bancos estão considerando o impacto ambiental das empresas em que investem o dinheiro dos seus clientes. Informe-se com o seu gerente antes de escolher o melhor investimento para você e o meio ambiente.

40.        Informe-se sobre a política ambiental das empresas que você contrata
Seja o banco onde você investe ou o fabricante do shampoo que utiliza, todas as empresas deveriam ter políticas ambientais claras para seus consumidores. Ainda que a prática esteja se popularizando, muitas empresas ainda pensam mais nos lucros e na imagem institucional do que em ações concretas. Por isso, não olhe apenas para as ações que a empresa promove, mas também a sua margem de lucro alardeada todos os anos. Será mesmo que eles estão colaborando tanto assim?

41.        Desligue o computador
Muita gente tem o péssimo hábito de deixar o computador de casa ou da empresa ligado ininterruptamente, às vezes fazendo downloads, às vezes simplesmente por comodidade. Desligue o computador sempre que for ficar mais de 2 horas sem utilizá-lo e o monitor por até quinze minutos.

42.        Considere trocar seu monitor
O maior responsável pelo consumo de energia de um computador é o monitor. Monitores de LCD são mais econômicos, ocupam menos espaço na mesa e estão ficando cada vez mais baratos. O que fazer com o antigo? Doe a instituições como o Comitê para a Democratização da Informática.

43.        No escritório, desligue o ar condicionado uma hora antes do final do expediente
Num período de 8 horas, isso equivale a 12,5% de economia diária, o que equivale a quase um mês de economia no final do ano. Além disso, no final do expediente a temperatura começa a ser mais amena.

44.        Não permita que as crianças brinquem com água
Banho de mangueira, guerrinha de balões de água e toda sorte de brincadeiras com água são sem dúvida divertidas, mas passam a equivocada idéia de que a água é um recurso infinito, justamente para aqueles que mais precisam de orientação, as crianças. Não deixe que seus filhos brinquem com água, ensine a eles o valor desse bem tão precioso.

45.        No hotel, economize toalhas e lençois
Use o bom senso… Você realmente precisa de uma toalha nova todo dia? Você é tão imundo assim? Em hotéis, o hóspede tem opção de não ter as toalhas trocadas diariamente, para economizar água e energia. Trocar uma vez a cada 3 dias já está de bom tamanho. O mesmo vale para os lençois, a não ser que você mije na cama…

46.        Participe de ações virtuais
A Internet é uma arma poderosa na conscientização e mobilização das pessoas. Um exemplo é o site ClickÁrvore, que planta árvores com a ajuda dos internautas. Informe-se e aja!

47.        Instale uma válvula na sua descarga
Instale uma válvula para regular a quantidade de água liberada no seu vaso sanitário: mais quantidade para o número 2, menos para o número 1!

48.        Não peça comida para viagem
Se você já foi até o restaurante ou à lanchonete, que tal sentar um pouco e curtir sua comida ao invés de pedir para viagem? Assim você economiza as embalagens de plástico e isopor utilizadas.

49.        Regue as plantas à noite
Ao regar as plantas à noite ou de manhãzinha, você impede que a água se perca na evaporação, e também evita choques térmicos que podem agredir suas plantas.

50.        Frequente restaurantes naturais/orgânicos
Com o aumento da consciência para a preservação ambiental, uma gama enorme de restaurantes naturais, orgânicos e vegetarianos está se espalhando pelas cidades. Ainda que você não seja vegetariano, experimente os novos sabores que essa onda verde está trazendo e assim estará incentivando o mercado de produtos orgânicos, livres de agrotóxicos e menos agressivos ao meio-ambiente.

51.        Vá de escada
Para subir até dois andares ou descer três, que tal ir de escada? Além de fazer exercício, você economiza energia elétrica dos elevadores.

52.        Faça sua voz ser ouvida pelos seus representantes
Use a Internet, cartas ou telefone para falar com os seus representantes em sua cidade, estado e país. Mobilize-se e certifique-se de que os seus interesses – e de todo o planeta – sejam atendidos.

53.        Divulgue essa lista!
Envie essa lista por e-mail para seus amigos, divulgue o link do post no seu blog ou orkut, reproduza-a livremente, e, quando possível, cite a fonte. O Mude o Mundo agradece, e o planeta também!

Lúcio Fonseca Artigos

Cop 15: buscando a saída do beco

December 9th, 2009

A partir da Revolução Industrial, o mundo entrou num ciclo de desenvolvimento vertiginoso, cujos benefícios são inegáveis, mas com efeitos colaterais inimagináveis. Simplesmente, estamos “contratando” a destruição da casa que nos abriga, ao sobrepor o interesse econômico – importante e necessário – aos interesses ambientais e sociais, que são vitais para a sobrevivência e a qualidade de vida.

Afrontando os interesses ambientais, exaurimos os recursos naturais, poluímos os rios, devastamos a biodiversidade e expelimos quantidades exponencialmente crescentes de gases do efeito estufa, provocando artificialmente o aquecimento do planeta e, consequentemente, dramáticas mudanças climáticas. Tal desvario, já não há mais dúvidas, ameaça concretamente a existência da vida – inclusive humana – na Terra. Um triste espetáculo de ignância.

Afrontando os interesses sociais, ao permitir, por exemplo, que alimentos sejam considerados commodities tão especuláveis na Bolsa quanto quaisquer outras, condenamos milhões à escassez ou privação, construindo um ambiente não só desumano, mas potencialmente explosivo. Acreditando que o desenvolvimento é um imperativo inexorável, entramos num beco (quase) sem saída. Alertas têm sido dados aos montes, mas a ignância (mistura da ignorância com a ganância) ainda impede que providências sejam tomadas, no ritmo urgente que se faz necessário, e que se coloque o freio do bom senso na corrida alucinada rumo ao abismo.

Para discutir toda esta problemática e tentar encontrar uma saída do beco em que nos metemos, dirigentes de quase todos os países do mundo (Estados Unidos incluídos – Aleluia!), cientistas e ONGs estão reunidos em Copenhagen. Não vai ser fácil um acordo, pois reverter o paradigma de que “o desenvolvimento não pode parar” é missão árdua. Sem querer ser trágico, lembra-me a cena da orquestra insistindo em tocar enquanto o Titanic afunda…

A par dos paradigmas a serem quebrados, há outras armadilhas, como a de achar que basta trocar energia fóssil por energia renovável e continuar pisando no acelerador. Na verdade, a questão não se restringe a mudar de energia fóssil para energia renovável, mas a uma necessidade mais ampla de rever um modelo de vida essencialmente predatório, de forma a reduzir drasticamente o consumo do supérfluo e a demanda de energia e, assim, diminuir a pressão sobre os recursos naturais e os efeitos danosos ao planeta.

No bojo da discussão de metas de redução de emissões, esta questão deverá surgir. É necessário que surja. Só de estar sendo discutida, já significará um raio de esperança. Mas não nos iludamos: além das ações governamentais, as atitudes individuais vão contar muito (afinal, o problema somos nós). Pense nisso. E comece já: olhando para o seu guarda-roupas (para ver se precisa mesmo de mais aquela calça, camisa, sapato…), deixando o carro mais em casa que rodando, economizando energia elétrica, resistindo aos apelos do consumo pelo consumo (acredite: você tem muito valor, mesmo se não usar a grife XYZ) , dando destinação adequada às baterias e ao lixo em geral, diminuindo o uso de sacos e embalagens plásticas, pedindo às pessoas que, ao invés de te darem presentes no aniversário ou no Natal, façam uma doação para uma causa ambiental ou para quem necessite do básico, etc, etc, etc.
Lúcio Fonseca
Consultoria & Palestras

Lúcio Fonseca Artigos

Implantar um ERP ou escalar o Everest: da euforia ao drama; do drama à satisfação

November 30th, 2009

Informatizar a organização, para “ter informação na ponta dos dedos”, é como realizar o sonho de ver o mundo do topo do Everest: visão ampla, abrangente, sistêmica, e com domínio dos detalhes.

Mas, assim como não se resolve, numa 6ª feira à tarde, que “já que não tenho nada pra fazer no fim de semana, vou escalar o Everest”, para implantar sistemas informatizados robustos e sofisticados, como os ERP – Enterprise Resource Planning, considerados como a base necessária para a o desenvolvimento da “inteligência dos negócios”, é .preciso preparar-se. E muito bem.

Não são poucos os casos de insucesso e de decepção com a implantação de sistemas em geral e do ERP, em particular. Aqui vão algumas das muitas e duras lições aprendidas, durante o período em que fui Diretor de Tecnologia de uma grande organização, não sobre como escalar o Everest, mas de como implantar sistemas com sucesso.

ERP: o que é e por que sua empresa precisa dele

“Em Deus, nós acreditamos. Todos os outros que tragam os dados.” (Deming)

Ter “informação na ponta dos dedos” não é um exotismo, mas uma necessidade básica, nos tão competitivos tempos atuais. Bill Gates, em seu livro “A empresa na velocidade do pensamento”, mostra com clareza a possibilidade (e as vantagens) de a empresa estruturar um “sistema nervoso digital”, capaz de “informar ao cérebro”, no mesmo instante em que acontecem, os eventos que poderão representar riscos ou oportunidades para a organização.

O ERP – Enterprise Resource Planning – ou “Sistema de Gestão Integrado”, ou ainda “Sistema de Gestão Empresarial”, como é mais conhecido no Brasil, controla a Folha de Pagamento, o Almoxarifado, a Contabilidade, Contas a Pagar e muitos outros processos empresariais, de maneira integrada. Ou seja, a informação é inserida apenas uma vez no sistema e transita automaticamente por todas as áreas do mesmo, disparando também automaticamente processos correlatos. Mas não é só o que faz: normalmente, é a base sobre a qual se assentam vários outros sistemas, como o CRM, Data Warehouse, Business Intelligence e uma gama enorme de sistemas de atendimento, controle, E-Business e tantos outros que vão alavancar a produtividade e competitividade da empresa.

Um roteiro passo a passo para escolha e implantação de um ERP

” Lembrai-vos de que as grandes proezas da história foram conquistas do que parecia impossível.” (Charles Chaplin)

PASSO 1: Conhece-te a ti mesmo
Antes de partir para a escolha e implementação de um ERP, faça, com a equipe, um trabalho de levantamento, crítica e descrição formal de todos os procedimentos, regras e processos de trabalho existentes e que serão informatizados (para não correr o risco de automatizar o que está errado, gerando prejuízos… mais rapidamente). Uniformize procedimentos e regras de negócio e padronize os processos.

Conheça também o nível de expectativa da alta administração e dos usuários com relação ao projeto que têm pela frente. É comum que se pense que um sistema é uma ferramenta mágica para solução fácil de todos os problemas, sem esforço. Nada mais irreal: “o paraíso não existe”. Coloque as expectativas na dimensão real: é bom, é útil, mas requer muitos pré-requisitos para que dê o retorno desejado.

PASSO 2: Desenhe o “sistema de informação” da empresa
“Aquele que deseja construir torres altas dever permanecer longo tempo nos fundamentos.” – Anton Bruckner (1824-1896)
Cabe à alta administração e às chefias informar à área técnica, com antecedência, que indicadores de desempenho desejarão controlar e em que formato: Planilha? Gráfico? Relatório?

Cabe à área técnica disponibilizar a informação da maneira mais fácil e intuitiva possível para o usuário, trabalhando para que ele possa ser cada vez mais autônomo.

PASSO 3: Escolha um ERP compatível com suas necessidades e realidade e produzido por empresa confiável

“O que se promete e não se cumpre é recebido como afronta pelo superior, como injustiça pelo igual e como tirania pelo inferior; sendo assim, é importante e prudente que a língua não se aventure a oferecer o que não se sabe se poderá cumprir.” (Diogo de Saavedra)

Só depois de conhecer e arrumar previamente a casa e saber claramente de que tipo de informação e controles se irá necessitar, é que é hora de pensar na escolha do ERP.

Sistemas podem ser desenvolvidos “em casa” ou serem adquiridos de empresas especializadas, pequenas ou grandes. Para cada uma destas escolhas, há pontos a favor e contra, que não cabe aqui discutir.

Se você se decidir por adotar um “sistema de mercado” (tenho razões para considerar esta a decisão mais adequada), faça um levantamento e triagem de várias alternativas (incluindo a robustez e credibilidade dos fornecedores), com a ajuda de especialistas (recomendável) e selecione as três melhores. Submeta as três escolhidas, separadamente, a análise de seus USUÁRIOS-CHAVES. Ninguém melhor do que quem vai usar para dizer o que atende e o que não atende; (é muito importante também que o usuário se sinta o “dono” do sistema e não que o mesmo é algo que lhe foi imposto)

PASSO 4: Faça uma implantação profissional

Implantar um sistema não é instalar um sistema. O processo leva sempre a uma enorme mudança organizacional. Processos de negócio são alterados, pessoas são deslocadas (ou até mesmo demitidas), formas de trabalhar mudam inteiramente. Diante de toda proposta de mudança, as pessoas costumam, normalmente, percorrer o “Caminho de SARA”: primeiro, Shock (choque), depois Angry (raiva), em seguida Reaction (reação, resistência) até, finalmente, a Acceptance (aceitação).

É preciso que a coordenação do projeto de implantação atue, em cada uma das etapas deste “caminho”, para diminuir o “choque” (muita informação preliminar), permitir que a “raiva” se manifeste e, assim, se possa trabalhá-la; trabalhar as “resistências” explícitas e não explícitas (as mais difíceis) e acelerar o processo de “aceitação”, reconhecendo publicamente aqueles que estão avançando e apoiando fortemente os que demonstram dificuldades.

O custo do projeto não é só a aquisição do sistema. Reserve um valor significativo do orçamento do projeto para o processo de implantação, com um número suficiente de horas, e também para a montagem da infra-estrutura. (equipamentos, links de comunicação, etc)

O Consultor deve conhecer bem não só o sistema, mas também o negócio da empresa cliente. As metas de prazo e de custo devem ser perseguidas obsessivamente (um grande percentual de projetos de implantação falha em algum – ou ambos – desses aspectos).
Oriente a equipe para não fazer solicitação de customizações/ajustes durante implantação (sob pena de nunca acabar a implantação e de “deformar” o sistema).

PASSO 5: Antecipe-se e enfrente com naturalidade, inteligência e firmeza as dificuldades que certamente aparecerão

“As facilidades iludem e enfraquecem, as dificuldades ensinam e fortalecem”
(Santo Inácio de Loyola)

Dificuldades (muitas) são esperáveis num processo de implantação de sistemas. Algumas têm origem nas questões tecnológicas (talvez 20%) – integração com outros sistemas, funcionalidades insuficientes, bugs (todos têm) – , mas a grande maioria tem a ver com o fator humano: qualificação tecnológica precária dos usuários – capacite; resistência à mudança de processos (apresente bons motivos) –saudades do sistema antigo – com paciência, relembre suas limitações e ressalte as vantagens do novo; insegurança e medo de demissão – apóie e informe, com honestidade.

Para diminuir as dificuldades naturais num processo de implantação, consiga um “padrinho” (sponsor), comprometido, da alta administração. Obtenha também o COMPROMETIMENTO dos usuários. Identifique e oficialize um “usuário master”, um profissional entusiasmado com o projeto e que seja referência para os demais. Tenha atenção permanente ao “clima” e dê suporte imediato às dificuldades. Procure perceber e trabalhar rapidamente as resistências, as inseguranças e fragilidades, dando apoio efetivo a quem necessite, ou seja, cuidando bem das pessoas. Dê informação contínua sobre o status do projeto e substitua a relação cliente-fornecedor por parceiro-parceiro

A grande lição aprendida: implantar um ERP é como fazer uma expedição de escalada do Everest…

Não importa se você vai escalar o Everest, desenvolver um projeto qualquer em sua empresa ou, mais especificamente, implantar um ERP. Em qualquer caso, será preciso: preparação e planejamento; suporte especializado e profissional; equipamento adequado; preparo técnico (e físico); espírito de equipe; espírito de aventura e fair play; liderança efetiva e 2 P: Paciência e Persistência

Todos nos deparamos com montanhas que parecem intransponíveis …com um planejamento minucioso, muita força de vontade, iniciativa e criatividade, todas as barreiras podem ser rompidas.
(WALDEMAR NICLEVICZ, primeiro brasileiro a escalar o Everest)

Sucesso na sua “escalada”!

* LÚCIO FONSECA
Consultor organizacional e palestrante
Diretor de Assuntos Estratégicos da Sucesu-MG
lucio@luciofonseca.com.br

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QUALIDADE E PRODUTIVIDADE NO SISTEMA EDUCACIONAL

November 27th, 2009

Em poucas décadas, o mundo se transformou por inteiro. Conceitos e verdades se evaporaram, novos conceitos e novas verdades se criam e se recriam a espaços de tempo cada vez mais curtos, movidos pela energia criativa da juventude, pela globalização e o big bang tecnológico.
No entanto, alheia às dramáticas mudanças e à ebulição à sua volta, a Escola continua, em muitos casos, privilegiando a mera acumulação de informações (ou pior, de dados), tarefa inútil para uma sociedade que não é mais industrial.
Inúmeras são as exigências para os atuais e futuros profissionais: alta competência em leitura e escrita, alta competência em resolução de problemas (novos) – em grupo – domínio de várias línguas e do ferramental tecnológico, criatividade e iniciativa, vontade permanente de aprender, ética, responsabilidade social e um vasto ETC.
Tudo sinaliza para a necessidade de o sistema educacional formar não apenas um profissional, mas um ser humano cada vez melhor e mais completo, abrindo extraordinárias oportunidades para aqueles que resolverem enfrentar o desafio.
Em todo o mundo, as organizações buscam freneticamente os TALENTOS. O drama é que há sempre inúmeras vagas em aberto, pois o sistema educacional não tem conseguido produzi-los. Que o digam os pífios resultados do PISA e dos Exames de Ordem. A solução deste dilema se fará, pelo menos, em dois atos.
1. Um estratégico esforço nacional de modernização e qualificação do sistema educacional, para que seja muito mais produtivo que o atual e passe a formar capital humano “de classe mundial”. Educação centrada na aprendizagem e não mais no ensino. Uso intensivo das novas tecnologias e dos melhores mecanismos de gestão – Planejamento Estratégico, Ciclo PDCA e outros instrumentos da Qualidade. Novas estratégias educacionais e reinvenção generalizada dos currículos, com mudanças orientadas pelos interesses e necessidades dos clientes do sistema educacional – a sociedade, o mercado de trabalho e o próprio educando (como cidadão e futuro profissional) – e não pela “genialidade” de alguns.
2. Compreensão, pelo estudante, de que tornar-se capaz, competitivo e empregável implica um processo que só ele pode operar: o de aprender e produzir conhecimento. “Quem não cola não sai da Escola”: um ultrapassado lema com validade vencida. Tornar-se um aprendiz profissionalizado, um gerente de sua própria aprendizagem é o único caminho. Assim como, para os que estão na ativa, o também único caminho é assumir-se como eterno aprendiz, para livrar-se da obsolescência e aproveitar as muitas oportunidades emergentes. Inclusive a de contribuir para a concretização de um mundo sustentável e de uma humanidade em solidária harmonia.
Qualidade e produtividade também no sistema educacional: tarefa urgente, se quisermos criar os Profissionais (com P maiúsculo) que o mercado de trabalho requer e os Cidadãos (com C maiúsculo) de que o mundo tanto necessita.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FONSECA, Lúcio de A. e outros – A Gestão da Escola – Vol. 4 – Cap 3- Qualidade e Produtividade no Sistema Educacional – Artmed Editora S/A – RS, 2004
DRUCKER, P. – Sociedade Pós-Capitalista. S Paulo:Pioneira, 1993
LAWTON, R.L – Creating a costumer-centered culture: leadership in quality, innovation and speed. Winsconsin, USA: ASQC Quality, 1993
Revista VOCÊ S/A – volumes diversos
Textos:
TORO, Bernardo – Códigos da Modernidade

http://coletaneadetextos.blogspot.com/2007/05/cdigos-da-modernidade.html

UNESCO – As Oito Características do Trabalhador do Século XXI in Leonardo o Multimídia – http://www.sapiensapiens.com.br/site/leonardo-o-multimidia-leonardo-davinci

Lúcio Fonseca
lucio@luciofonseca.com.br
Consultor Educacional e Empresarial e palestrante no Brasil e no exterior em temas de Gestão, Educação e Tecnologia aplicada. Desenvolve, entre outras, atividades de consultoria em Planejamento Estratégico para organizações públicas e privadas, no Brasil e em Angola. Durante três décadas foi Diretor de unidades educacionais e executivo de grande empresa educacional, tendo atuado em várias regiões do Brasil, no Iraque e na Colômbia.
Website: www.luciofonseca.com.br

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Ignância: um novo vocábulo para um velho problema

June 6th, 2008


Não entendo a polêmica “A Amazônia é propriedade do Brasil ou do mundo?”. Em breve (muito breve, infelizmente), o que haverá é apenas uma Amazônia virtual, em 2D, plana, pois a cobertura vegetal terá desaparecido. Trabalharão, então, por algum tempo, com mais facilidade e vigor, as mineradoras, carcomendo o chão até restar apenas o nada. Terra vermelha, batida pelo vento. Quem vai querer?

De hora em hora, parte significativa daquele extraordinário bioma vai embora. Esburaca-se o pulmão do mundo, vende-se o corpo da floresta – levando junto sua alma - altera-se o clima local e planetário, liqüidam-se inúmeras espécies da flora e fauna, num processo inexorável de transformação da biodiversidade em bio-humanidade (só restaremos nós – por um tempo). “Mas, pelo menos, o desenvolvimento do país não terá sido travado, né?”

Grande consolo. Para quem vão os frutos desse desenvolvimento? Para o povo sofrido do Jequitinhonha? Não. Os frutos têm servido apenas para aprofundar o fosso entre ricos e pobres. Donos de madeireiras e barões do agronegócio – entre outros privilegiados – engordam suas fortunas, lambem os beiços e já olham cupidamente para mais um naco de floresta que teima em atrapalhar os negócios, ficando de pé.

E o pior (?): “Classe alta brasileira consome três planetas Terra, aponta pesquisa” (Folha de SP – 06/06/2008). Toda esta devastação para dar a quem menos precisa o direito de consumir o supérfluo, jogando toneladas de preciosas sobras no lixo. Para os mais pobres sobram os piores frutos: a impossibilidade de pagar os custos astronômicos do alimento e da água tratada. Coisa à toa, para os (poucos) demais.

Trocar ar puro pela fumaça pestilenta dos automóveis. Florestas luxuriantes primeiramente pela monotonia da monocultura e depois por desertos inóspitos. Rios e cachoeiras de águas cristalinas por pútridos tietês e arrudas. Saúde por paetês. Vida por vaidade e dinheiro. Será que não dá para repensar e voltar um pouco mais para o que é básico para ser feliz? Será que não dá para pensar que está na hora de evoluir de uma visão eu-cêntrica para uma visão nós-cêntrica (envolvendo no “nós” tudo o que é vivo e natural)? Será que não tinha razão o Grande Chefe Sioux, em sua carta-resposta(*) à proposta do Presidente dos Estados Unidos de compra das terras da tribo (em 1855!)?

Como podes comprar ou vender o céu – o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. Como podes comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre o nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias arenosas, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um pedaço de terra é igual a outro. Porque ele é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga e, depois de explorá-la, ele vai embora. (…)Esquece as sepulturas dos antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si os desertos. (…)
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem um lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o som das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é para mim uma afronta contra os ouvidos. (…)
Um indígena prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d’água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar – animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição. O homem branco deve tratar os animais como se fossem irmãos. (…) Vi milhares de búfalos a apodrecer nas pradarias abandonados pelo homem branco, que os abatia a tiros disparados do comboio. Sou um selvagem e não compreendo como um cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um búfalo que nós, indígenas, matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode afetar os homens. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra fere também os filhos da terra.
(…)
De uma coisa sabemos que o homem branco talvez venha um dia a descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. (…) A terra é amada por Ele. E causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças.
Continua a poluir a tua própria cama e hás de morrer uma noite, sufocado nos teus próprios dejetos! Depois de abatido o último búfalo e domados todos os cavalos silvestres, quando as matas misteriosas federem à gente – onde ficarão então as florestas? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dizer adeus às andorinhas da torre, à caça do fim da vida e o começo da luta para sobreviver…

Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças como era a terra quando dela tomaste posse. E com toda a tua força, o teu poder, e todo o teu coração conserva-a para teus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por ele.

Quando a última árvore for cortada,
quando o último rio for poluído,
quando o último peixe for pescado,
Aí sim eles verão que dinheiro não se come.

Ignância: a soma nefasta de ignorância (das relações sistêmicas, das conseqüências de um modus vivendi tão predatório) com a ganância. Na falta de uma palavra-síntese, cunhei esta e acho que bem reflete o estado em que sempre vivemos, exacerbado nos dias atuais, em que se devasta um Rio de Janeiro de floresta em um único mês. Corrida para o abismo.

Cada vez mais me convenço de que “menos é mais.” Reflitamos. E mudemos. (Já plantou uma árvore hoje? Vá a www.clickarvore.com.br – Não resolve – é preciso muito mais – mas ajuda. Ou, pelo menos, alivia a consciência).

(*) Há controvérsias sobre a veracidade desta carta. O texto às vezes varia, a depender da fonte. Não importa. As idéias continuam valendo. Veja texto completo em http://fis-quim.blogspot.com/2007/11/carta-sioux-ao-presidente-franklin.html


Lúcio Fonseca Artigos

Estruturando tecnologicamente a escola – 1a. parte

May 2nd, 2008


Tirar uma escola do mundo analógico e inseri-la no mundo digital requer um investimento financeiro que pode ir do razoável ao muito grande, dependendo das aspirações e do projeto (ou falta dele). Se dinheiro é uma condição necessária, nem de longe é suficiente, no entanto.

Há um longo caminho a ser percorrido antes até de se colocar a mão no bolso. Neste e nos próximos artigos, pretendemos dar um dos caminhos possíveis para sintonizar a escola com a sociedade de base tecnológica em que vivemos.

PASSO 1: Querer é poder!

Se uma escola ainda está no mundo da gaveta cheia de pré-datados, das montanhas de fichas em papel, das aulas na metodologia CG (Cuspe e Giz) e ainda se sente muito bem assim, a tarefa não vai ser fácil. Mas também não é impossível. Tudo pode começar com a busca da resposta a uma pergunta: “Por quê e para quê temos que estruturar tecnologicamente a escola?”

Durante milênios, a sociedade foi apenas oral. As crenças, tradições e saberes – imutáveis e em quantidade limitada – eram passados pelos mais velhos aos mais novos em longas e repetitivas sessões de “contação” de histórias, muitas vezes em torno da fogueira (tirando a fogueira, talvez a semelhança com a aula expositiva não seja mera coincidência).

Um dia, inventou-se a escrita e com ela, de certa forma, a cronologia – uma coisa, depois a outra (o que, na escola, se refletiu, de certa forma, na estruturação curricular baseada em pré-requisitos – só se pode aprender determinada coisa depois que se aprender outra; por isso, meu caro aluno da 5a. série, guarde esta pergunta para fazê-la quando estiver na 7a.). Naqueles tempos, a quantidade de informações produzidas pela humanidade, embora bem maior, ainda era administrável, pois o ritmo de surgimento de novas informações era razoavelmente lento (por isso, os livros não precisavam ser descartáveis, e podiam passar de irmão para irmão, quando não de pai para filho).

Mas, de repente, e não menos que de repente, o surgimento da televisão, a revolução das comunicações, o acesso democratizado ao extraordinário poder de processamento de dados dos computadores e, principalmente, sua interligação numa até então inimaginável “teia mundial” provocaram o que se poderia chamar de “big bang informacional”. Uma fantástica explosão que liberou dos seus limitados (e controláveis) depósitos a informação. Um universo informacional em contínua e vertiginosa expansão se libertou da Caixa de Pandora, para desconsolo e – em muitos casos – desespero de muitos monges e copistas, medievais e contemporâneos.

Para desbravar e sobreviver neste admirável e digital mundo novo, os instrumentos, as competências e as regras que vigiam até então perderam repentinamente a validade. Carros de boi, Fords Bigodes, telegramas, telex, enciclopédias e arquivos em papel… obrigado pelo bem que me fizeram, mas agora preciso de informação on line sobre a inadimplência, a evasão e o desempenho acadêmico; de “search engines” e robôs digitais que encontrem, num piscar de olhos, a informação de que preciso, armazenada em algum rincão perdido deste universo cibernético. O tempo urge: não posso mais esperar dias pela resposta à carta que postei no correio; preciso de imediato retorno eletrônico. A quantidade de informações que tenho de manusear é cada vez maior: preciso de sistemas informatizados. O tempo é cada vez mais curto; não posso me dar ao luxo de reinventar a roda; preciso guardar organizadamente, gerir e compartilhar meu conhecimento organizacional, de forma a poder recorrer a ele, em situações repetitivas, para fazer igual ou, melhor ainda, para apenas melhorar o que já foi feito. Mas como encontrar informações naquele entupido e mofado arquivo morto? E o gasto com papel, meu Deus? E o tempo perdido tentando achar uma informação? É… não tem jeito… preciso estruturar tecnologicamente minha escola.

E então fez-se a luz… Bem vindo, irmão, ao novo mundo. Você já quer, então você já pode. Você está pronto para os próximos passos. Nos próximos capítulos.

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Até a próxima!

Lúcio Fonseca

Fonte da imagem sb10067382c-001 Digital Vision (Royalty-free) – www.gettyimages.com.br

Lúcio Fonseca Artigos

Tecnologia na Escola: por quê?

April 21st, 2008

Conhecer o passado para entender o presente e vislumbrar o futuro das relações entre sociedade, tecnologia e escola. Este é o objetivo principal desse artigo.

A Sociedade humana já foi ORAL. Nesse tempo, a tecnologia para preservação e transmissão do conhecimento e da cultura era a palavra e a metodologia, a repetição. Sentados ao redor da fogueira, os membros da tribo escutavam histórias, repetidas ad infinitum pelos anciãos. Se fôssemos representar graficamente a sociedade oral, o melhor símbolo seria o círculo. O conhecimento existente – as tradições e os mitos – circulavam continuamente, através da repetição.

Chegou o tempo da Sociedade ESCRITA. Com a possibilidade de registrar os fatos, podia-se avançar, “criando” História, uma vez que a memória mítica não corria mais o risco de se perder, por estar definitivamente gravada. A Escrita passa a ser o instrumento tecnológico para a preservação e transmissão do conhecimento e a linha, a linearidade e a cronologia – uma coisa depois da outra – passaram a ser a metodologia.

Entramos, em seguida, na era DIGITAL. Pela transformação de átomos em bits, a capacidade de armazenamento de informações multiplicou-se astronomicamente. A quantidade de informação produzida dobra em espaços cada vez mais curtos de tempo. As gerações mais novas passam a raciocinar hipertextualmente, confrontando explicitamente a lógica tradicional, a linearidade cartesiana. Paralelamente, descobre-se que as pessoas aprendem de formas diferentes – os aprendizes podem ser auditivos, visuais ou cinestésicos – e que há múltiplas formas de ser inteligente. Com o advento da Internet – a rede que interliga todos os computadores mundiais – os depósitos de informação transformam-se em vasos comunicantes.

Diferentemente do que ocorria nas duas formas anteriores de Sociedade, na Sociedade Digital não mais se espera que as pessoas sejam capazes de apenas reproduzir textualmente as informações que lhes foram passadas através das palavras e da escrita. O imperativo da sobrevivência requer hoje a capacidade de encontrar informações, processar estas informações, combiná-las com outras informações e, assim, construir novos conhecimentos, que dêem respostas novas a problemas novos, num processo de aprendizagem contínua. O foco desloca-se do ensino para a aprendizagem. (Longe de descartar o professor, a efetividade desta mudança passa a depender dramaticamente de sua capacidade de sair do papel de instrutor para o de administrador do processo ensino-aprendizagem).

Acrescenta-se, nesse novo cenário, aos instrumentos convencionais de aprendizagem – palavra, giz, lousa e livro – um arsenal extraordinário de recursos: a multimídia, com seu poder de impactar simultaneamente vários sentidos, surge para atender às diferenças individuais entre os aprendizes e potencializar a aprendizagem pelo uso combinado e simultâneo de várias mídias e pela possibilidade de se abordar, interativa e hipertextualmente, de acordo com o interesse, um conjunto de informações; a Internet, com sua capacidade de permitir o acesso instantâneo às fontes primárias de informação e o intercâmbio de conhecimentos em tempo real; os softwares de produtividade – planilhas, editores de textos, geradores de apresentações gráficas e bancos de dados – permitindo o processamento de maior quantidade de dados e informações de modo mais rápido e mais preciso.

A Escola não tem sido, tradicionalmente, um ambiente receptivo às transformações. Não é à toa que passou incólume pelo retroprojetor, pelo projetor de slides, pela TV e pelo videocassete (quantos professores incorporaram efetivamente esses recursos à sua rotina didática?). Um dado novo se apresenta, no entanto. Diferentemente das tecnologias acima citadas, a multimídia e a Internet se entranharam na vida da juventude, a clientela básica da Escola, tornando-se sua ferramenta natural de comunicação, diversão e aprendizagem, e aprofundando o fosso entre o mundo real e o mundo da escola (tenho para mim que a indisciplina, em muitos casos, não é mais que evasão espiritual: o corpo fica, para ganhar presença, e o espírito vai para paragens mais interessantes).

Diante de tantas transformações e possibilidades, como permanecer a Escola restrita ao reino do giz e da palavra? Como continuar sendo apenas oral e escrita, circular e linear?

A tecnologia gera sentimentos muitas vezes contraditórios: surgindo para auxiliar e resolver problemas (de transporte, de trabalho, de diagnóstico de doenças, etc, etc.), provoca em muitos reações temerosas ou até mesmo pura rejeição. Os novos recursos que se colocam à disposição de professores, alunos e cidadãos em geral, longe de serem ameaças, exotismos ou esfinges de decifração impossível, só podem ser vistos como ferramentas, como outras quaisquer que já serviram e servem ao homem. Para utilizá-las é cada vez menor o esforço de aprendizagem requerido. E esse esforço, maior ou menor para uns e outros, é cada vez mais imprescindível num mundo que se globaliza inexoravelmente. O domínio, ainda que meramente instrumental, do computador e de pelo menos algumas das chamadas tecnologias da informação, são condição necessária e passaporte para a cidadania global e antídoto contra a exclusão.

Se outras não houvesse, penso que bastariam estas para justificar a presença natural da tecnologia na rotina didática dos professores e no trabalho de aprendizagem dos alunos. Sem sofrimento. Ao contrário, com muito prazer.

Lúcio Fonseca Artigos

Educação de Qualidade? Guaranésia diz: "Presente"

July 8th, 2007

A bucólica Guaranésia

A Escola Estadual Carvalho Brito

Treinamento de Práticas Inovadoras em Sala de Aula: redescobrindo o prazer de ensinar e… aprender

Guaranésia, município mineiro de aproximadamente 20.000 habitantes, situado a 500 quilômetros de Belo Horizonte, tinha tudo para ser apenas mais uma das bucólicas e aprazíveis cidadezinhas do belíssimo sul de Minas, voltada quase exclusivamente para a produção de tecidos de algodão cru (são 7 fábricas). Mas o ar puro e a calma que ali se respiram escondem uma vocação forte para o desenvolvimento, sem perda da qualidade de vida. É lá que se encontra a Escola Estadual Carvalho Brito, simplesmente a 4a. melhor escola pública do país, segundo avaliação do MEC, através do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, recentemente divulgado. O IDEB e o destaque das melhores escolas do ranking nacional são dissecados em excelente matéria da Revista Época de junho último.

Elevada à condição de município há apenas pouco mais de 100 anos, Guaranésia poderia ter-se conformado apenas com sua indústria textil, centrada na produção de panos de pratos e sacaria. Mas alguns visionários acharam que era muito pouco. Uma florescente indústria de açucar e álcool foi implantada, sintonizando a cidade com as tendências econômicas mais atuais. Projetos da Prefeitura apontam para ações de médio e longo prazo, associadas a reflorestamento combinado com reciclagem de lixo, que prometem tornar a cidade um pólo regional dos mais vibrantes. E o que é melhor: o senso de prioridades e a visão de futuro das autoridades locais, levaram a cidade a investir fortemente na melhoria da qualidade da educação, compreendendo seu papel estratégico no desenvolvimento do município.
Na busca do melhor para a cidade, o Secretário de Educação, o professor de Matemática Antônio Laudade, encontrou no SGI – Sistema de Gestão Integrado, desenvolvido pela Fundação Pitágoras, a solução ideal para incrementar a gestão do sistema público de ensino, ponto de partida para qualquer processo de melhoria da qualidade da educação.

Integrando ao processo, sem distinção, as escolas municipais e estaduais da cidade e seguindo à risca a metodologia de gestão prescrita pelo SGI, a Secretaria Municipal de Educação estabeleceu primeiramente sua Visão, sua Missão e suas Metas e, em seguida, procedeu ao seu desdobramento para as escolas, estas para suas salas de aulas e, destas, para os alunos. Assim, todas as instâncias do sistema educacional são movidas a metas e todas elas são associadas a um objetivo fundamental: obter altos níveis de aprendizagem dos alunos. O processo, que dura 20 meses, está apenas na metade, mas sua contribuição à qualidade da educação nas escolas sediadas na cidade e na zona rural – sejam do âmbito municipal, seja do estadual – já se faz notar concretamente.

A implantação do SGI, uma ação estruturadora fundamental, não é, entretanto, a única. Por trás, uma postura de convivência pacífica e parceria entre as redes municipal e estadual de educação (coisa, infelizmente, nem sempre comum) e um contínuo investimento na qualificação dos professores, com um Programa de Formação continuada que inclui Novas Tecnologias na Educação e Práticas Inovadoras em Sala de Aula (que tenho o privilégio de poder apoiar). Além disso, a busca da valorização dos professores e o reconhecimento do mérito, através de um Plano de Carreira que está prestes a ser aprovado pela Câmara dos Vereadores.

Todo este apoio não tira, no entanto, um mérito essencial: o dos professores, funcionários e equipe de liderança da Escola Estadual Carvalho Brito. Com uma dedicação acima da média e uma continuidade administrativa nos últimos 3 anos, a equipe faz da da escola “um brinco”, tanto nos aspectos físicos quanto pedagógicos. Resultado: 4a. colocada e uma firme determinação de chegar ao pódio da qualidade nas próximas rodadas.

Uma forte luz que se acende no fim do túnel da educação, em tempos em que fica cada vez mais claro que “A concorrência entre as nações será, em seu estágio final, a competição entre sistemas educacionais, pois os países mais produtivos e mais ricos serão aqueles com a melhor educação e treinamento.” (Richard Rosecrance – Diretor do Centro de Relações Internacionais da Univ. da Califórnia)

Lúcio Fonseca Artigos

A bomba-relógio da demografia

June 27th, 2007

O site da BBC Brasil publica matéria que corrobora o alerta que eu havia feito no texto “Uma verdade indigesta…”. Veja a manchete e os “melhores” (???) momentos do texto, que pode ser lido na íntegra em http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/06/070627_relatoriopopulacao2007_pu.shtml
Mundo terá 9 bilhões de pessoas em 2050, diz ONU

(…) E até 2030, cinco bilhões de pessoas viverão nas cidades, o equivalente a 60% da população, disse o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).E até 2030, cinco bilhões de pessoas viverão nas cidades, o equivalente a 60% da população, disse o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

(…) Na América Latina, 200 milhões de moradores urbanos adicionais até 2030 significarão um aumento de 50% em relação a hoje.
Já na Ásia e na África, carros-chefes do crescimento das cidades, a população urbana dobrará neste período.

(…) Com as cidades desses continentes crescendo ao ritmo de um milhão de habitantes por semana, quase sete em cada dez cidadãos urbanos serão asiáticos ou africanos em 2030, previu o estudo.

(…) O cenário de concentração do crescimento urbano em cidades do mundo em desenvolvimento fez o UNFPA alertar para a conseqüente explosão das favelas.
Atualmente, um bilhão de pessoas vive em favelas, 90% das quais estão nos países em desenvolvimento e 40% na Índia ou na China.

A pergunta é: e em 2100, que está “a í”? Planejamento familiar já! Salário maternidade/paternidade – ao contrário – já! (Quem aceitar fazer laqueadura ou vasectomia, ganha um ano de salário-desemprego).

Se decidimos viver mais, temos que ser em número menor. O planeta não suporta. E a qualidade de vida se deteriora drasticamente. É sintomática a afirmação a seguir, também do texto citado:

Em 30 anos, a população urbana nos países ricos aumentará em apenas 100 milhões de pessoas, o equivalente a 11% da população urbana atual nesses países (veja quadro).
Na América Latina, 200 milhões de moradores urbanos adicionais até 2030 significarão um aumento de 50% em relação a hoje.

De fato, nós somos o problema. Quanto maior a “família”, maior a degradação ambiental- e a pobreza . Hora de acordar, pessoal!!

Lúcio Fonseca Artigos

Caos no trânsito: uma solução em cinco atos

June 15th, 2007

* Lúcio Fonseca

Motivado por ampla reportagem no Bom Dia Brasil de hoje – 15/6/2007 – volto a tema sobre o qual me debrucei e venho falando há anos (meus pacientes amigos e inúmeros motoristas de táxi que o testemunhem): a falência do paradigma transporte individual. Parece que agora “a ficha está caindo” para mais gente, graças a Deus.

Resumo aqui os 5 passos que venho propondo, há quase 10 anos. É uma abordagem sistêmica (leia todos, por favor), para propiciar uma guinada suave para outro modelo de transporte, mais racional e muito mais saudável do que este que temos.

O problema, suas causas e perspectivas

* Em 1970 (apenas 37 anos atrás), éramos “90 milhões em ação”; hoje somos 190 milhões! O mundo já chega aos 7 bilhões de seres humanos!
* Há algumas décadas, só ricos possuíam carro; hoje, qualquer assalariado pode tê-lo, pagando em até 72 meses (louvável a diminuição da desigualdade, mas, no caso em tela, o resultado é a construção de uma “bomba-relógio”);
* O Brasil fabrica 2.8 milhões de carros por ano; a China 7 milhões! A Índia…
* Em S. Paulo, rodam hoje 3,5 milhões de veículos por dia; dentro da maioria destas “caixas de 6 a 8 m2”, uma única pessoa); e todo dia, mais 500 automóveis são licenciados (somados a outros veículos, chegam, provavelmente, a 1.000 ou mais…); o automóvel é, cada vez mais fortemente, o sonho de consumo, o objeto de desejo de cada cidadão; dentro de 5, 10, 20 anos, o que ocorrerá?
* A média para engarrafamentos em SP é de 110 km! (e as outras cidades se encaminham “inocentemente” para o mesmo caos…); problema grande para as pessoas que têm carro (a minoria) e maior ainda para os que não o possuem (a imensa maioria);
* Só em S. Paulo se gastam 600 milhões por ano no tratamento de doenças respiratórias; a maioria dos afetados nem têm carro, mas são vítimas da poluição que estes causam, responsável também em 13,5% pelo aquecimento global;
* Trecho da matéria de hoje do Bom Dia Brasil:

Quilômetros de engarrafamento, caos, impaciência. O tempo que os motoristas desperdiçam dentro do carro nas grandes cidades do Brasil. Um custo que chega a bilhões e bilhões de reais.

Uma imagem, na quinta-feira, impressionou moradores de todo o Brasil. Era uma fila que não tinha fim: carros, caminhões, ônibus e motoristas parados, durante horas e horas, na maior cidade do país. Foram 172 quilômetros de engarrafamento – um recorde de desperdício. Quem, dentro do carro, cansado, nunca pensou que poderia estar aproveitando melhor aquele tempo? Quais são as previsões de quem estuda o assunto para os próximos anos? Como vai estar São Paulo em 2050, por exemplo? Não deixe de ver a matéria completa (textos, áudio e vídeo) em http://bomdiabrasil.globo.com/Jornalismo/BDBR/0,,AA1564662-3682-689148,00.html . Uma pena: os especialistas entrevistados não conseguiram ver a questão sistemicamente e se limitaram às opiniões e sugestões mais comuns;
* Conclusão: andar de carro todos os dias, a passeio ou a trabalho, é um prazer (ou obrigação, por falta atualmente de opções) que foi possível; agora, simplesmente, NÃO É MAIS!’

A solução, em cinco atos

Perdoem-me os Engenheiros de Trânsito, urbanistas e outros profissionais da área a ousadia, mas uso a prerrogativa de “observador de fora” (não tanto “de fora”, por ser causador, em parte, do problema e vítima, no todo) para indicar um caminho a meu ver viável – e necessário – para a solução.

Premissas:
1) a necessidade maior não é ter automóvel, mas transportar-se (de que forma for);
2) mudar a cultura de uso de automóvel é difícil; precisa ser feito em etapas.

ETAPA I: oferecer transporte público, inicialmente via ônibus e vans, de alto nível, em quantidade e ótima qualidade, com preços subsidiados (a economia gerada com controle de trânsito, acidentes, doentes, etc) paga; tira-se assim a desculpa dos donos de carro de usa-lo por falta de opção;

ETAPA II: tirada a desculpa, implantar um programa acelerado de restrição crescente ao uso do automóvel na cidade, até elimina-lo: avenidas inteiras só para transporte público, centro da cidade “fechado” aos carros, pedágio urbano caro, aumento dos impostos para aquisição, criação de “imposto de circulação em via pública” etc;

ETAPA III
: já melhorou, mas ônibus e vans são trambolhos e altamente poluentes; hora de investir (inclusive os muitos recursos apurados com a economia já citada, o pedágio urbano etc) no metrô como o novo paradigma de transporte; à proporção que for aumentando a oferta de metrô, ir retirando ônibus e vans de circulação (criar aceleradamente um número cada vez maior de ruas com transporte motorizado proibido);

ETAPA IV: com as ruas livres (inclusive da poluição), dotar todas de ciclovias (para bicicletas e patinetes) e fazer contínuas campanhas educativas, ressaltando os benefícios de andar a pé (mais economia, principalmente no sistema de saúde, pois a população será muito mais saudável); um avanço rumo a novo paradigma de transporte: metrô/bicicleta-patinete/pé;

ETAPA V: como, inapelavelmente, a população vai continuar crescendo (embora devamos repensar esse paradigma também) e, assim, a demanda de transporte, hora de implantar uma solução verdadeiramente heterodoxa: muitas ruas se transformam em grandes esteiras rolantes (como a dos grandes aeroportos); sobre elas são colocadas coberturas e, nelas, células solares, para movê-las com energia natural. Loucura? Muitos dos grandes avanços da humanidade foram classificados assim, de início.

Já tenho resposta para muitos dos possíveis questionamentos a esta proposta (venho refletindo e estudando sobre isto há tempos), mas, certamente, não para todos. O que desejo é poder discutir estas idéias na maior quantidade de foros possível e que todos ajudem a colocá-las em debate, para seu aperfeiçoamento e melhor qualidade de vida de todos nós. A trilogia “Gestão das cidades: a bomba-relógio chamada automóvel”, publicada há tempos neste site, esmiúça a questão. Leia.

Mudar o mundo é menos difícil do que parece. Opine, provoque o debate. Estou à disposição.

* Palestrante e Consultor
educacional e empresarial
lucio@luciofonseca.com.br

Lúcio Fonseca Artigos