Estrada Real: uma viagem possível no espaço-tempo
Para usufruir de tudo isto, há que encarnar um pouco do espírito dos pioneiros, pois muitas das belezas precisam ser “garimpadas” em meio ao desordenado crescimento das antigas vilas e vilarejos, que, em muitos casos, se transformaram em cidades de grande porte.
Tenho procurado “experimentar” a Estrada Real. Já viajei por vários dos seus trechos (sempre com minha fiel companheira digital). Há pouco, parte da minha família e eu rodamos alguns dias por parte do Circuito dos Inconfidentes. Descobri, já há algum tempo, que a gente não “vai” à Estrada Real, mas a gente sabe que “está” na Estrada Real:
- quando se é recebido, em Congonhas, pelos profetas de Aleijadinho
- quando se depara com alguém montado literalmente em uma “vaca leiteira”, como vimos em São Braz do Suaçuí, próximo à sua bela igreja matriz , que, para ser visitada, precisa ser aberta com uma chave que data de tempos imemoriais pela “guardiã”, que fica na Casa Paroquial, ao lado;
- quando se delicia com o famoso rocambole de Lagoa Dourada;
- quando se conhece Prados e seus fantásticos artistas e artesãos,
- como o Sirlei, que mora e tem seu ateliê no casarão de D. Hipólita (a primeira mulher Inconfidente), ao lado da belíssima Matriz de N.Sra. da Conceição, cujo precioso acervo ele ajuda, voluntariamente, a preservar; ali produz sua fantástica obra de arte, exportada para todo o Brasil, e, ao mesmo tempo, orienta os visitantes quanto às atrações imperdíveis de toda a região e lhes concede horas do seu profundo conhecimento de arte e cultura;
- como o Márcio Julião, com sua arte impensável feita de enormes esculturas em enormes troncos de árvores, de extraordinário vigor e expressão: animais selvagens, totens e uma profusão de outras, que surgem em turbilhão de sua mente magicamente inventiva; com trabalhos similares, há outros, como os Cinco Irmãos Carassa e o Thiago, com sua impressionante carranca de alguns metros de altura;
- se depara com um grupo entusiasmado de cavaleiros, “tropeiros de luxo”, que percorrem, em bandos felizes e barulhentos, trechos – às vezes muito longos – do caminho;
- chega a um lugar chamado “Bichinho”, um vilarejo que, de lugar esquecido no tempo, encontrou um novo destino, sem perder a simplicidade: o de famoso centro de artesanato de alto nível; depois de explorar as inúmeras lojas e ateliês, encantando-se com as “namoradeiras” à janela, não se pode deixar de conhecer a deliciosa Pousada do Mauro, um ex-caminhoneiro, de excelente prosa, que se transformou em um dos mais renomados artesãos da região;
- roda por estradinhas de terra, em meio a bucólicas paisagens, e tem que buzinar para tirar as pachorrentas vacas do caminho;
- chega à Tiradentes do Alferes Joaquim José da Silva Xavier e se inebria de história em suas ladeiras calçadas de pedra, em meio a um preservadíssimo casario colonial, igrejas centenárias, lojas charmosas, antiquários repletos de passado, cafés e bistrôs que nos levam uma Paris de sonhos; uma experiência turística a um só tempo de alta sofisticação, muito charme e simplicidade preservada.
Para fazer o roteiro que fiz, saindo de Belo Horizonte, pegue a BR 040 (BH/RIO) entre em Congonhas e dali siga pela MG-383 em direção a S. João Del Rey. Fizemos nosso ponto de apoio em Prados, no apart hotel Água Limpa, do “gordo simpático” Renato. Instalações excepcionais e um café da manhã esplendoroso, providenciado e servido diretamente no apartamento por ele e sua simpática esposa. Prosa das melhores.
Querendo informações de outros trechos interessantes da Estrada Real, basta contactar-me.
Saiba mais sobre a Estrada Real – história, atrações, hospedagem, eventos – no site oficial do Instituto Estrada Real – http://www.estradareal.org.br/


