Caos no trânsito: uma solução em cinco atos

June 15th, 2007

* Lúcio Fonseca

Motivado por ampla reportagem no Bom Dia Brasil de hoje – 15/6/2007 – volto a tema sobre o qual me debrucei e venho falando há anos (meus pacientes amigos e inúmeros motoristas de táxi que o testemunhem): a falência do paradigma transporte individual. Parece que agora “a ficha está caindo” para mais gente, graças a Deus.

Resumo aqui os 5 passos que venho propondo, há quase 10 anos. É uma abordagem sistêmica (leia todos, por favor), para propiciar uma guinada suave para outro modelo de transporte, mais racional e muito mais saudável do que este que temos.

O problema, suas causas e perspectivas

* Em 1970 (apenas 37 anos atrás), éramos “90 milhões em ação”; hoje somos 190 milhões! O mundo já chega aos 7 bilhões de seres humanos!
* Há algumas décadas, só ricos possuíam carro; hoje, qualquer assalariado pode tê-lo, pagando em até 72 meses (louvável a diminuição da desigualdade, mas, no caso em tela, o resultado é a construção de uma “bomba-relógio”);
* O Brasil fabrica 2.8 milhões de carros por ano; a China 7 milhões! A Índia…
* Em S. Paulo, rodam hoje 3,5 milhões de veículos por dia; dentro da maioria destas “caixas de 6 a 8 m2”, uma única pessoa); e todo dia, mais 500 automóveis são licenciados (somados a outros veículos, chegam, provavelmente, a 1.000 ou mais…); o automóvel é, cada vez mais fortemente, o sonho de consumo, o objeto de desejo de cada cidadão; dentro de 5, 10, 20 anos, o que ocorrerá?
* A média para engarrafamentos em SP é de 110 km! (e as outras cidades se encaminham “inocentemente” para o mesmo caos…); problema grande para as pessoas que têm carro (a minoria) e maior ainda para os que não o possuem (a imensa maioria);
* Só em S. Paulo se gastam 600 milhões por ano no tratamento de doenças respiratórias; a maioria dos afetados nem têm carro, mas são vítimas da poluição que estes causam, responsável também em 13,5% pelo aquecimento global;
* Trecho da matéria de hoje do Bom Dia Brasil:

Quilômetros de engarrafamento, caos, impaciência. O tempo que os motoristas desperdiçam dentro do carro nas grandes cidades do Brasil. Um custo que chega a bilhões e bilhões de reais.

Uma imagem, na quinta-feira, impressionou moradores de todo o Brasil. Era uma fila que não tinha fim: carros, caminhões, ônibus e motoristas parados, durante horas e horas, na maior cidade do país. Foram 172 quilômetros de engarrafamento – um recorde de desperdício. Quem, dentro do carro, cansado, nunca pensou que poderia estar aproveitando melhor aquele tempo? Quais são as previsões de quem estuda o assunto para os próximos anos? Como vai estar São Paulo em 2050, por exemplo? Não deixe de ver a matéria completa (textos, áudio e vídeo) em http://bomdiabrasil.globo.com/Jornalismo/BDBR/0,,AA1564662-3682-689148,00.html . Uma pena: os especialistas entrevistados não conseguiram ver a questão sistemicamente e se limitaram às opiniões e sugestões mais comuns;
* Conclusão: andar de carro todos os dias, a passeio ou a trabalho, é um prazer (ou obrigação, por falta atualmente de opções) que foi possível; agora, simplesmente, NÃO É MAIS!’

A solução, em cinco atos

Perdoem-me os Engenheiros de Trânsito, urbanistas e outros profissionais da área a ousadia, mas uso a prerrogativa de “observador de fora” (não tanto “de fora”, por ser causador, em parte, do problema e vítima, no todo) para indicar um caminho a meu ver viável – e necessário – para a solução.

Premissas:
1) a necessidade maior não é ter automóvel, mas transportar-se (de que forma for);
2) mudar a cultura de uso de automóvel é difícil; precisa ser feito em etapas.

ETAPA I: oferecer transporte público, inicialmente via ônibus e vans, de alto nível, em quantidade e ótima qualidade, com preços subsidiados (a economia gerada com controle de trânsito, acidentes, doentes, etc) paga; tira-se assim a desculpa dos donos de carro de usa-lo por falta de opção;

ETAPA II: tirada a desculpa, implantar um programa acelerado de restrição crescente ao uso do automóvel na cidade, até elimina-lo: avenidas inteiras só para transporte público, centro da cidade “fechado” aos carros, pedágio urbano caro, aumento dos impostos para aquisição, criação de “imposto de circulação em via pública” etc;

ETAPA III
: já melhorou, mas ônibus e vans são trambolhos e altamente poluentes; hora de investir (inclusive os muitos recursos apurados com a economia já citada, o pedágio urbano etc) no metrô como o novo paradigma de transporte; à proporção que for aumentando a oferta de metrô, ir retirando ônibus e vans de circulação (criar aceleradamente um número cada vez maior de ruas com transporte motorizado proibido);

ETAPA IV: com as ruas livres (inclusive da poluição), dotar todas de ciclovias (para bicicletas e patinetes) e fazer contínuas campanhas educativas, ressaltando os benefícios de andar a pé (mais economia, principalmente no sistema de saúde, pois a população será muito mais saudável); um avanço rumo a novo paradigma de transporte: metrô/bicicleta-patinete/pé;

ETAPA V: como, inapelavelmente, a população vai continuar crescendo (embora devamos repensar esse paradigma também) e, assim, a demanda de transporte, hora de implantar uma solução verdadeiramente heterodoxa: muitas ruas se transformam em grandes esteiras rolantes (como a dos grandes aeroportos); sobre elas são colocadas coberturas e, nelas, células solares, para movê-las com energia natural. Loucura? Muitos dos grandes avanços da humanidade foram classificados assim, de início.

Já tenho resposta para muitos dos possíveis questionamentos a esta proposta (venho refletindo e estudando sobre isto há tempos), mas, certamente, não para todos. O que desejo é poder discutir estas idéias na maior quantidade de foros possível e que todos ajudem a colocá-las em debate, para seu aperfeiçoamento e melhor qualidade de vida de todos nós. A trilogia “Gestão das cidades: a bomba-relógio chamada automóvel”, publicada há tempos neste site, esmiúça a questão. Leia.

Mudar o mundo é menos difícil do que parece. Opine, provoque o debate. Estou à disposição.

* Palestrante e Consultor
educacional e empresarial
lucio@luciofonseca.com.br

Lúcio Fonseca Artigos

Uma verdade indigesta: o problema somos nós

June 15th, 2007
Lúcio Fonseca*

O IPCC, órgão internacional responsável pelo estudo de alterações climáticas, afirma categoricamente que a atividade humana é a maior responsável pelo aquecimento global. Havia dúvidas?

Somos, infelizmente, responsáveis por muitos danos mais e, sem querer fazer terrorismo (mas já fazendo), é difícil pensar em retorno a um estado de equilíbrio, por mais esforços que se façam. E há muito que fazer. E pouco que tem sido feito.

É preciso sempre exercitar a visão sistêmica, a capacidade de enxergar o todo, o conjunto das partes e suas relações. Fritjof Capra é mestre em nos mostrar isto cristalinamente, com sua teoria dos sistemas vivos e sua percepção da teia como a forma por excelência de estruturação da vida e da natureza. Se conseguirmos ter uma visão de conjunto do planeta (microcosmo inserido num infinito macrocosmo), é possível que consigamos nos dar conta de nossa verdadeira posição na natureza: a de uma das espécies e não a da espécie superior e proprietária de todo o restante.

É interessante notar como todos achamos que o planeta é nosso. Até mesmo quem defende a natureza argumenta que devemos preservá-la para os nossos filhos e netos, para as próximas gerações. Como se fôssemos os donos do pedaço, os senhores de engenho (e nossos filhos e netos os sinhozinhos e sinhazinhas), a quem todos os outros seres devem servir e prestar vassalagem. Sem nenhum direito próprio

Está na hora de revermos este conceito. Nem somos os primeiros a aqui chegar. O homem consciente de sua existência e atos surgiu há cerca de 60.000 anos na África, afirma o professor Michal Kobusiewicz do Instituto de Arqueologia e Etnologia da Academia Polonesa de Ciências. Somos uma criancinha, num planeta onde a vida surgiu há mais de 3 bilhões de anos. Uma criança mimada, birrenta (Eu quero!!) e extremamente cruel para com os seres à sua volta. Cruel… irracional (embora, ironicamente, nos achemos o único ser racional da natureza….).

Quem mais na natureza fabrica bombas e as joga sobre a cabeça dos semelhantes? Quem mais usa armas nucleares e ameaça o semelhante o tempo inteiro com o disparo das mesmas, a despeito do risco de explodir ou tornar inabitável, pela radiação, o planeta inteiro? Quem mais na natureza seqüestra? Quem mais na natureza assassina para roubar um tênis ou comprar droga? Quem mais na natureza se apropria do dinheiro público para adquirir carros e lanchas importados, à custa da miséria de milhões? Quem mais na natureza mete fogo na floresta para criar gado ou plantar soja? Quem mais na natureza mata por uma ideologia ou uma religião, construções mentais que variam de grupo para grupo humano? Quem mais na natureza assassina 160.000 elefantes em poucos anos? (Na ásia, eram 200.000 no século XX; hoje são 40.000). Quem mais na natureza transforma elegantes araras azuis em dinheiro? Quem mais na natureza ocupa 6 a 8 m2 de vias públicas para se deslocar (em caixas retangulares, chamadas automóveis, que cospem uma fumaça que mata lentamente)? Quem mais invade o habitat das outras espécies e o destrói sem cerimônia? Quem mais transforma árvores-fábricas de oxigênio em dólares, em forma de pranchas de madeiras nobres? Quem mais admite até que os pólos derretam, que epidemias tropicais invadam o hemisfério norte, que milhões morram, para que a economia não seja afetada? Quem mais, como na China, é capaz de poluir 70% de seus rios e contaminar 90% das águas subterrâneas? Quem mais provoca a extinção em massa da fauna e da flora, eliminando brutalmente a vida por onde passa? Quem mais é capaz de matar os poucos chimpanzés e gorilas remanescentes, invadindo os já parcos santuários ecológicos que lhes sobraram? (“Chipanzés e gorilas estão sendo caçados juntamente com elefantes, antílopes, miríades e outras espécies, para virarem comida . E não é para alimentar as pessoas famintas, mas para satisfazer um gosto por carne de caça da elite urbana (Jane Goodall) – Todas as 235 espécies de primatas estão listadas na Convenção sobre o comércio Internacional das espécies da fauna e da flora selvagem ameaçadas de extinção, com exceção dos humanos. Um terço de todos os nossos parentes primatas está em perigo de extinção; conseqüência das ações de outro da mesma espécie, os humanos… Perseguidos no passado por atiradores que procuravam troféus de caça, os primatas são mortos hoje para satisfazer a demanda dos turistas por comprar lembranças de viagem. Peles atrativas de macacos e mãos de gorilas transformadas em cinzeiros são lembranças bem populares. – http://www.animalplanetbrasil.com/guia_primatas/primatas_perigo/index.shtml).

Quem mais produz tantos dejetos em proporções tão pantagruélicas e os lança criminosamente em qualquer lugar, conspurcando riachos virgens, assoreando os rios e contaminando inapelavelmente tudo o que com eles entra em contato, como a peste negra que varria a Europa em tempos medievais?

Mas as coisas são e poderão ficar piores do que imaginamos (para não desanimar, leia até o fim). Este ser “fantástico”, acima descrito, se reproduz – perdoem-me os puristas – como coelhos. Em poucas décadas, um crescimento exponencial nos trouxe ao estonteante número de quase 7 bilhões!! 7 bilhões de seres vorazes, qual nuvem de gafanhotos, a devorar tudo o que encontram pela frente, sem limites e sem lei, que não seja a da própria sobrevivência e do enriquecimento a qualquer preço, a da prepotência, a da vaidade, a do comodismo, a do extrativismo obsessivo e consumo desenfreado e irracional.

7 bilhões de seres que, por serem dotados de uma inteligência “operatória”, foram capazes de praticamente eliminar ou neutralizar a ação de seus antigos predadores – os animais selvagens, os vírus e bactérias – rompendo o sábio equilíbrio natural. 7 bilhões de seres que vivem cada vez mais e se reproduzem geometricamente (aos 75 anos, um ser humano terá produzido, em média, 39 descendentes, à base de meros 3 filhos, em média, por pessoa). Principalmente nas comunidades mais pobres – nas periferias das grandes cidades, nos grotões do Brasil ou nas vilas africanas – “família grande” ainda é motivo de orgulho. Ou de conveniência (salário família, bolsa família e outros estímulos…). “Crescei e multiplicai-vos”… mesmo para quem não leu a Bíblia, a máxima é mais que válida. Não é à toa que, anualmente, mais de um milhão de adolescentes americanas, de todas as classes sociais, ficam grávidas. E tome filhos rejeitados, mal nutridos, vivendo nas ruas e na marginalidade. E procriando. E gastando recursos naturais. E criando montanhas de dejetos…

Sou uma pessoa de hábitos (julgava eu) comedidos. Calculei o tamanho de minha “pegada ecológica” em http://www.earthday.net/footprint/info.asp?language=portuguese&country=portugal . Se todos os seres humanos consumissem recursos e gerassem dejetos como eu, precisaríamos de 2,6 planeta Terra para dar conta de nós!…

Somos um organismo tentacular, que cresce sem controle e que suga vorazmente a energia e os recursos do organismo maior. Se a Terra for de fato Gaia, um organismo vivo, como descreveu o cientista James Lovelock, estamos para ele como um tumor cancerígeno está para o ser humano: instala-se, cresce, drena a energia do organismo, suga-a com tal voracidade que leva seu hospedeiro à exaustão e o mata, num processo, paradoxalmente, também de auto-extinção.

Santa mãe de Deus! Será este o nosso destino? Não haverá modo de frear este bólido que se dirige vertiginosamente para o abismo? Haverá lugar ainda para a esperança?

Talvez…. Esta mesma besta-fera é capaz de produzir a mais refinada arte. É capaz de se emocionar ao ouvir uma bela música. De se encantar com a nova flor de orquídea que surgiu no vaso. De extasiar-se diante de um pôr-do-sol ou de uma lua cheia… De sentar na porta de suas casas ao entardecer e trocar pão de queijo pelo muro com os vizinhos (como bem me lembrou meu mano José Júlio)… Talvez seja capaz de acordar a tempo para a tragédia iminente e de colocar um freio em suas ambições, de sair de seu “egoísmo ecológico” e se perceber como parte… como a parte mais responsável, por ser dotada de um aparelhamento intelectual sofisticado. Quem sabe?

Quem sabe será capaz de perceber que a vida vivida com mais simplicidade pode ser mais rica de significado e menos prejudicial ao meio… Que não é justo, apenas para deleite próprio (“Que gracinha!”), colocar mais e mais seres no planeta, sem pensar nas conseqüências para eles e para o próprio planeta, principalmente se optou por viver mais… que andar a pé não é vergonha, mas um jeito saudável e gostoso de conhecer a cidade e mais pessoas… que roupas feitas de peles de animais, assim como a caça e a pesca esportivas (matar é um esporte?!), e pesca com redes de arrasto – que devastam preciosos ecossistemas – são uma confissão de estupidez, de ignorância… que o canto natural das aves vale mais que mil CDs… que garrafas PET deviam ser chamadas de garrafas PESTE… Que preservar a natureza em torno de si e respeitar os vizinhos – sejam gente, planta, montanha ou animal – é obrigação moral de cada habitante deste condomínio-planeta, uma vez que os direitos dos “condôminos” são iguais… que o espaço disponível é para ser dividido com os demais seres e não invadido e conquistado por uma só espécie (ah, se soubessem da beleza e importância estratégica da biodiversidade…)… que não há som mais doce que o das cachoeiras e do farfalhar do vento nas folhas das árvores… que não há prazer maior do que respirar ar puro…

O problema somos nós. Quem sabe, a solução também? Somos suficientemente inteligentes para dar um basta nas atrocidades que temos cometido. E para entender que reduzir drasticamente a natalidade, em todo o mundo, por exemplo, não é uma atitude totalitária, mas de autodefesa e, especialmente, de sabedoria, humildade e cuidado para com os outros elementos do planeta. Inclusive os seres humanos que virão (em menor quantidade, pede o planeta).

Há que manter as esperanças, mas agindo. Inácio de Loyola uma vez disse: “Trabalha, como se tudo dependesse de ti, e confia, como se tudo dependesse de Deus.”

* Palestrante e Consultor
educacional e empresarial

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Lençóis Maranhenses: um encontro necessário

May 20th, 2007



Compartilho com vocês mais uma experiência turística marcante que tive recentemente: aproveitando que estava no Maranhão para dar algumas palestras, concedi-me dois dias de folga e fui aos Lençóis Maranhenses. Preparem-se para o lugar comum: ali pude sentir que… o paraíso existe. Só Deus mesmo para fazer algo tão belo: um “deserto do Saara” com lagos de águas tépidas e cristalinas entre uma imensa duna de areias quase brancas e outra. E só Deus mesmo para impedir que seja destruído pela nossa – como direi – “indelicadeza” diante das obras da natureza.

De quebra, fiz um tour em S. Luís. Cidade plena de história, cultura e folclore.

Vejam aí algumas fotos que tirei. São bonitas, mas nem de longe passam a emoção de estar lá. Recomendo vivamente. Não é um passeio caro e ficará na memória para sempre.

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VOCÊ É CARBONO NEUTRO? UM ROTEIRO SIMPLES PARA SER.

May 20th, 2007
* Lúcio Fonseca
“Viver é muito perigoso” (Guimarães Rosa)

Só por estar vivo, cada um de nós está colocando em perigo o planeta. E nossa própria vida. Parece trágico, mas é verdade. A atividade humana é essencialmente geradora de gases nocivos, especialmente o metano (em grande parte oriundo dos rebanhos bovinos) e o dióxido de carbono – CO2, que contribuem fortemente para o aquecimento global.

Usar a eletricidade, consumir gás e deslocar-se de automóvel, ônibus ou avião são exemplos de formas diretas de emitir carbono. Mas elas são inúmeras. Comece pensando, por exemplo, no motoqueiro que entrega o seu jornal diariamente. Ou na quantidade de plástico que consome, em forma de sacolas de supermercado e embalagens de produtos.

O planeta não está suportando o estilo de vida altamente predatório do ser humano. Nós mesmos já estamos pagando um alto preço pela forma cômoda e ecologicamente irresponsável em que vivemos. As doenças respiratórias causadas pela poluição atmosférica, além da saúde, consomem R$ 600 milhões/ano, somente em S. Paulo. E isto é só um exemplo. Nossos filhos e nossos netos, como os filhos e netos de tantos, é que sofrerão mesmo. O que pensarão do nosso egoísmo, da nossa incapacidade de abrir mão de consumir tanto de tanta coisa supérflua, emitindo “cheques ambientais” que eles terão que pagar? E os outros seres vivos: temos o direito de, além de ameaçar a nossa, provocar também sua extinção?

O caminho mais correto é rever nossos hábitos de vida. Será que precisamos consumir tão desesperadamente para sermos felizes? REDUZIR (o consumo): é o primeiro passo. REUTILIZAR (salve o copo de requeijão!): o segundo. RECICLAR (coleta seletiva ajuda muito): o terceiro.

Um outro passo importante é fazer pequenas mudanças nos hábitos do dia a dia. Uma pessoa emite, em média, 7.000 quilos de carbono (ou equivalente) por ano e pode facilmente reduzir este montante, em proporções que ela mesma pode escolher conforme tabela abaixo.

O QUE FAZER QUANTO REDUZ

1%
1. Tirar da tomada 8 aparelhos que puxam energia no modo stand-by 53 k
2. Separar papel para reciclagem 70 k
3. Trocar 2 lâmpadas de 60 W e 75W por 2 de 13W e 19W 51 k
4. Reduzir banho de 10’ para 5’ 30 k
5. Computador em modo de espera, após 10’ inativo 42 k

5%
1. Usar ventilador e não ar-condicionado, se necessário 340 k
2. Trocar carro por transporte público, 2 dias por semana 320 k
3. Comer carne de boi apenas uma vez por semana 380 k
4. Usar sacolas reutilizáveis ao invés dos sacos plásticos de supermercado 380 k

50%
1. Usar somente álcool como combustível 3.000 k
2. Manter máximo de 100km / h ao dirigir na estrada 3.800 k
Fonte: Veja – novembro-2006

Agora que você “já mudou seus hábitos e reduziu sua emissão”, há outros passos a serem dados. Aquele processozinho que aprendemos no Primário – a tal de fotossíntese – ganha agora um valor estratégico. Segundo os especialistas, na média, 5 árvores em crescimento retiram 1 tonelada de carbono da atmosfera, por ano. E o processo ainda gera um subproduto pra lá de interessante: oxigênio puro.

Então, além de mudar hábitos, há que plantar árvores. Em profusão. Quantas forem possíveis… e mais! Mas, se você não pretende se transformar em um obcecado plantador de árvores, quantas, pelo menos, deve plantar por ano? A calculadora ambiental te diz exatamente. Respondendo a umas poucas perguntas, você recebe um cálculo estimativo bastante confiável. Experimente: http://www.thegreeninitiative.com/calculator/pt/calculator.php (o site é em português).

Depois de calculada a quantidade de árvores a plantar, é só colocar a mão na massa. OU NO MOUSE! Sim: se você não tem disposição para mexer com a terra ou não tem onde plantar (se resolver achar, até que acha: passeio em frente ao prédio, quintal da casa, sítio próprio ou de amigo, etc), cadastrando-se no site http://www.clickarvore.com.br/ e com um único clique de mouse, você dispara o plantio de uma muda de árvore nativa da Mata Atlântica. Gratuitamente! Uma por dia. Pode – e deve – fazer isto todos os dias (colocar o site como página inicial é um artifício para não esquecer). Se quiser ajudar mais, fazendo a coisa “por atacado”, você clica no link “Floresta paga” e, por R$1,20 por muda, pode mandar plantar quantas quiser. E ainda acompanha, virtualmente, como evolui o “mini-ecossistema” que você está ajudando a construir. Por ser ligado à ONG SOS Mata Atlântica e apoiado por grandes grupos empresariais, tudo indica que esta iniciativa pode ser considerada coisa séria (confira o site: http://www.sosmatatlantica.org.br/ ).

Recapitulando: se você, que, como eu, contribui para o aquecimento, quer resgatar (pelo menos em parte) sua dívida, o roteiro é simples:

a) reduzir/reutilizar/reciclar
b) mudar hábitos diários
c) calcular emissão pessoal de CO2
d) plantar número de árvores recomendado (diretamente ou virtualmente).

Em tempo: é claro que ninguém, sozinho, vai resolver o problema do planeta, mas vários “sozinhos” juntos já farão uma grande diferença. Imagine:

1. se você passa a ser carbono neutro;
2. se consegue transformar a sua em uma família carbono neutro;
3. se cada membro da família consegue sensibilizar sua escola para ser uma escola carbono neutro (imagine o tanto de aprendizagem e os benefícios que um grande projeto interdisciplinar com este mote pode trazer);
4. se cada membro da família fizer o mesmo com a instituição em que trabalha;
5. se…

O caminho das pedras está aí. A bola está conosco. Se Bush quiser, que nos siga.

PS: se resolveu colocar alguma coisa disto em prática e conseguiu algum avanço, não deixe de me avisar, para compartilharmos e celebrarmos.

Saiba mais sobre o assunto em:

www.florestasdofuturo.org.br/paginas/home.php

http://truths.treehugger.com/ (este é um site que contém vários pequenos vídeos sobre o tema; muito interessante e instrutivo; todo em inglês)

http://www.climatecrisis.net/ (site oficial do filme “An inconvenient truth”, de Al Gore, a mais importante análise do tema aquecimento global; lá você verá imagens do filme e pode ter a cesso a várias formas de contribuir para a redução; se for professor, clique em “download the free companion educational guide”, que contém roteiros muito interessantes de projetos a serem desenvolvidos na escola – você precisará fazer um pequeno cadastro gratuito; todo em inglês).

Informe-se. Aja. Todos necessitamos.

* Palestrante e Consultor
educacional e empresarial
lucio@luciofonseca.com.br

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A bomba-relógio chamada automóvel: mundo começa a acordar

March 5th, 2007

Nestes tempos de preocupação crescente com o aquecimento global, com as agressões à natureza e com a própria sobrevivência da humanidade, é importante estar sempre ciente do que anda ocorrendo nesse front. Recebo, semanalmente, através da agência Envolverde, uma Newsletter do Terramerica. É um serviço especializado de informação sobre meio ambiente e desenvolvimento, patrocinado pela ONU, através do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Recomendo a assinatura, gratuita. Basta mandar e-mail para
O Portal Tierramerica,
http://www.tierramerica.org/portugues/2007/0303/pecobreves.shtml

MÉXICO: Uma vacina contra o automóvel
MÉXICO, 5 de março (Terramérica).- Em 2008 serão conhecidos os resultados de uma pesquisa sobre a relação de dependência dos habitantes com o automóvel, em 50 zonas urbanas do México. O estudo, inédito no país, definirá indicadores para medi-la e vai sugerir estratégias para combatê-la. Conseguir diminuir o uso do automóvel, que se ande mais a pé e transporte público eficiente são os objetivos que movem o estudo, explicou ao Terramérica seu coordenador, Salomón González, pesquisador da Universidade Autônoma Metropolitana (UAM). A pesquisa começou em 2006 e suas primeiras descobertas indicam que as maiores cidades do México, como sua capital, não são as que registram mais dependência em relação ao automóvel, mas as médias, como várias fronteiriças com os Estados Unidos. “Forma urbana e mobilidade: o automóvel, dependência nas metrópoles mexicanas” é um estudo realizado pelo UAM, pela Universidade Autônoma de Nuevo Leon e pelo Centro de Estudos Mexicanos e do Caribe. No México circulam cerca de 15,5 milhões de automóveis particulares e sua taxa de crescimento anual mais do que triplica a da população, que é de 1,44%.

Socorro!! Vamos morrer afogados em automóveis!! Acorda, pessoal!!

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ANO NOVO, PAÍS NOVO: UM DECRETO-LEI DO POVO BRASILEIRO

December 29th, 2006
Lúcio Fonseca*

Eu, o Povo Brasileiro, no uso de minhas atribuições como legítimo proprietário e senhor da “Terra Brasilis” (em que pese que aqueles que escolhi para me representarem pensarem ser eles mesmos), com minha simplicidade e sabedoria, DECRETO:

Art. I: Nenhum de meus representantantes, em qualquer dos Poderes e em qualquer instância, tem o direito de legislar em causa própria, seja em questões salariais, seja na escolha de parentes e apaniguados para ocuparem cargos públicos;

Art. II: Ficam revogados todos os “direitos adquiridos” de forma fraudulenta e/ou abusiva, dentre outros:
a) aposentadorias e pensões acima de R$ 6.000,00 (valor suficiente para uma sobrevivência digna; quem quiser mais, que faça sua Previdência Privada);
b) pensões vitalícias por exercício, por qualquer tempo, de função pública (ter exercido a mesma deve ser considerado honra);
c) remunerações totais, na função pública, acima de 30 salários mínimos (atualmente R$10.500,00), com expressa proibição de agregação de remunerações adicionais (conhecidas como “penduricalhos”), a qualquer título;
c.1) quem achar que é pouco, que trate de ficar rico primeiro, na iniciativa privada, para que possa exercer a função pública como serviço ao povo e não como forma de enriquecimento próprio;
d) o “direito” escandaloso de 2% da população concentrarem mais de 50% da renda, por falta de um sistema justo de impostos e de visão social dos mais beneficiados;
e) o “direito” de os Poderes gastarem fortunas indecentes com seu custeio e com a récua de assessores, fazendo viagens e colocando gasolina em seus carros e nos de outrem, às minhas custas;

Art. III: Fica instituído o PDZ – Programa Desonestidade Zero e revogado o direito de uso anti-ético do “jeitinho brasileirinho”, como forma de burla às normas, ao direito e à civilidade, seja pelo mais simples cidadão ou pela mais alta autoridade; como Direitos e Deveres são para todos, incluem-se neste artigo:
a) desde as propinas para aceleração de processos particulares, fuga de multas devidas e compra de artigos piratas e/ou contrabandeados até a compra de favores e consciências, em processos políticos;
b) a venda de liminares, as guias falsificadas para extração ilegal de madeiras e todas as práticas que beneficiam ilegalmente uns poucos à custa do sacrifício de muitos;
c) a ocupação de funções públicas e em empresas estatais por “paus mandados”, destinados unicamente à vil tarefa de transferir recursos que só a mim pertencem para contas bancárias, no país e no exterior, privadas e/ou de grupos;
d) subfaturamento e superfaturamento;
e) a indicação de aliados para cargos no TCU, TCE e TCM (amigos não fiscalizam amigos);
f) a leniência para com aqueles que burlam a Lei de Responsabilidade Fiscal;
g) a leniência para com os grandes (e pequenos) sonegadores (onde todos pagam, todos pagam menos);
h) o uso “esperto” de protelações pseudo-jurídicas para evitar o pagamento por atos ilegais cometidos;
i) campanhas publicitárias milionárias do Governo, instituições e empresas estatais (que, muitas vezes, nem concorrentes têm), com fito (eu sei) de propiciar desvios de verbas para particulares e grupos ou de fazer louvação encomendada;
j) a prática de impostos escorchantes, para tapar os buracos abertos pela corrupção e pela ineficiência;
k) A propaganda enganosa de candidatos; promessas não cumpridas, por qualquer razão, serão punidas automaticamente com a cassação perpétua dos direitos políticos, sem prejuízo de processos baseados no CDE – Código de Defesa do Eleitor (a ser construído nos moldes do CDC – Código de Defesa do Consumidor);
l) As invasões de terrenos particulares e públicos e as construções clandestinas, ainda que sob alegação de pobreza (não é possível a convivência civilizada no caos urbanístico);
a. Caberá ao Poder Público implantar o PMD – Programa de Moradia Digna, para transformar gradativamente as favelas em condomínios verticais dotados com infra-estrutura que torne digna a moradia; os Títulos de Propriedade (vendidos a preços variáveis, de acordo com a condição de cada um – nunca dados de graça) serão perpetuamente intransferíveis (a menos que tenham sido pagos por seu valor real) e a prática de Contratos de Gaveta será punida severamente (já que o uso anti-ético do “jeitinho brasileiro” é expressamente proibido no caput deste Artigo);
b. Toda e qualquer moradia clandestina será sumariamente demolida e seus ocupantes levados para abrigo público (em condições dignas), até que se enquadrem no PMD;
c. Os recursos necessários para o PMD virão da economia gerada pelo PDZ e de medidas de racionalização da máquina pública, como a que se segue;
m) A existência de TVs e rádios com intuitos corporativos, verdadeiros cabides de emprego pagos com o meu dinheiro; em país que já tem a Hora do Brasil e duas TVs estatais, cujas grades podem acolher o que for essencial de informação estatal, não preciso de TV Câmara, TV Senado, TV Justiça, TV Assembléia (uma para cada Estado!!) e tantas outras;

Art. IV: A elevação do “jeitinho brasileiro” à categoria de patrimônio nacional, na perspectiva de elemento indutor do empreendedorismo e da criatividade, desde que respeitados todos os limites éticos;

Art. V: Para candidatar-se a qualquer cargo eletivo, o cidadão deverá ter, no mínimo, o Ensino Médio completo e obter o CRP (Certificado de Representação Pública), constituído de Atestado de Bons Antecedentes, Curso de um ano de duração (custeado às suas expensas) e Prova de Certificação com grau de dificuldade similar ao do atual Exame de Ordem da OAB;
a) caso o postulante tenha qualquer processo judicial em curso, ainda que não julgado, estará automaticamente impedido de passar sequer pelo processo de obtenção do CRP;
b) o conteúdo do curso incluirá:
b.1) o conhecimento dos valores básicos da humanidade, através da leitura dos grandes clássicos da Literatura e da Filosofia,
b.2) um estágio social de três meses em regiões de maior carência do país (periferia das grandes cidades, Vale do Jequitinhonha, palafitas do Recife e/ou similares), para conhecer e nunca se esquecer do que é a miséria e da obrigação urgente de erradicá-la);
b.3) estudo profundo do conceito de cidadania e, especialmente, de “bem comum”;
b.4) exercício das funções mais humildes na Escola em que estiverem estudando, incluindo limpeza de sanitários, capina, serviço de café, portaria e outros, como fazem de tempos em tempos Executivos japoneses, para resgatar, em quem se candidata à função pública, a noção do “servir” em oposição ao “ser servido” e impedir a instalação do orgulho e da vaidade;
b.5) estudo profundo das questões de Administração Pública e Privada, para evitar o “não saber” ou o “ter sido traído” por pessoas em quem confiou;

Art. VI: Qualquer concessão pública – Bolsa-Família, Vale-gás, etc, terá vigência máxima de 2 anos;
a) qualquer fraude será entendida como “crime de lesa-pátria” e será punida com tempo de prisão igual a 3 vezes o tempo de benefício auferido ilegalmente;
b) durante o período de vigência do benefício, todos os membros da família beneficiada deverão prestar algum serviço público gratuitamente, à sua escolha – varrer ruas, pintar e recuperar prédios públicos, participar de grupos de resgate de tradições folclóricas, brigadas ambientais, etc; tal exigência é o reconhecimento de que pobre não é inválido ou mendigo e que qualquer um, por mais pobre que seja, tem uma contribuição a dar e deve dá-la (almoço grátis não existe);

Art. VII: Os presídios serão, de fato, ambientes de ressocialização; os presos não terão, durante os 30% iniciais de sua pena, acesso à TV e rádio convencionais (Celulares? Nem pensar!), mas a uma programação educacional, cultural e recreativa, que resgate em cada um o melhor do ser humano;
a) criminosos com curso superior serão colocados nas instalações mais humildes do presídio (serviram-se do meu dinheiro para me prejudicar) e os que não tiveram a oportunidade de educação terão direito a celas especiais;
b) as instalações serão dignas para todos e haverá trabalho e atividades educativas e culturais obrigatórias, de forma a ocupar 16 horas do dia (mente ociosa é moradia do diabo);
c) criminosos comprovadamente irrecuperáveis e/ou praticantes de crimes hediondos – chefes do crime organizado, traficantes, estupradores, seqüestradores e assemelhados – serão isolados perpetuamente, em celas dignas, mas sem contato com o mundo exterior (quem não tiver competência para viver em sociedade que viva fora dela); fica para outro Decreto, se necessária, a pena de morte para estes casos;

Art. VIII: As cidades voltarão a pertencer aos cidadãos e não mais às máquinas, e o ambiente se tornará limpo e saudável;
a) para construir um cidadão mais completo, o sistema educacional remunerará condignamente os professores; investirá forte na formação e nas competências essenciais, deixando de lado a cultura inútil e a prática também inútil de culto ao Diploma como fim em si mesmo; espelhar-se-á nas boas práticas das empresas que apresentam os melhores resultados e que são, ao mesmo tempo, as melhores para se trabalhar; será de qualidade e para todos;
b) os direitos da minoria que usa automóvel se submeterão aos da maioria, que precisa de transporte público inteligente, ágil e barato; automóveis (transporte individualizado, ocupador de espaço público, atravancador, poluidor e gerador de acidentes) terão sua circulação cada vez mais restringida;
c) ao invés de viadutos e vias expressas, a prioridade será para metrôs subterrâneos, em profusão, deixando a superfície livre de veículos e de poluição, para a saudável prática da caminhada em alamedas e praças profusamente arborizadas e uso de bicicletas, em ciclovias;
d) com a economia que o Poder Público fará, pela diminuição brutal de doenças respiratórias (só em S. Paulo, o gasto é de 600 milhões anuais), o preço do transporte público será subsidiado: máximo de R$0,50 por passagem nos vagões comuns dos metrôs e, para os egos mais inflados, mínimo de R$5,00 por passagem em potenciais vagões VIP;
e) os cidadãos que jogarem lixo ou depredarem o patrimônio público serão multados e obrigados a pessoalmente reparar o erro (uma humilhaçãozinha pública é ótima lição);

Art. IX: Policiais constituirão uma classe nobre na sociedade; para tal:
a) terão salários privilegiados e, em contrapartida, a exigência de curso superior, com currículo montado especialmente para torná-lo um verdadeiro profissional: competência técnica e humanística;
b) serão reconhecidos e valorizados pela população como benfeitores, como o fazem os japoneses;
c) viverão em moradias funcionais (parte construída com recursos de venda das moradias atualmente concedidas, desnecessariamente, a Deputados e Senadores), em vilas militares, onde, além de estarem livres da convivência com a marginalidade, terão programas contínuos de atualização técnica e cultural;
d) 95% do efetivo trabalhará nas ruas, com equipamentos modernos e perfeitamente adequados à função (recursos oriundos do PDZ); funções burocráticas serão terceirizadas;

e) No caso de se bandearem para o lado oposto, sofrerão todas as conseqüências legais, com penas dobradas em relação aos criminosos comuns e submissão a processo de execração pública, inclusive diante da família;

Art.X: Este DECRETO entra em vigor a partir de 01 de janeiro de 2007, como Disposição de Ano Novo, revogando-se as disposições em contrário (especialmente as que representarem interesses particulares e corporativos); é uma “obra aberta”: a qualquer momento poderei revogar, aperfeiçoar e acrescentar artigos, em meu único e legítimo benefício.

Assinado:

O POVO BRASILEIRO

*Lúcio Fonseca: Educador, Consultor, Palestrante e Cidadão, cansado de ver o Brasil ser um lugar em tempos de “Velho Oeste”, mas disposto a não ficar quieto.

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Gestão planetária: um filme, uma preocupação, uma disposição

November 28th, 2006

Dia desses, fui ao cinema. E voltei muito preocupado e disposto a fazer algo. Começo por este texto.

Assisti a “Uma verdade inconveniente” (An inconvenient truth), uma extraordinária contribuição de Al Gore – o quase Presidente dos Estados Unidos – à compreensão do que é o aquecimento global e as dramáticas conseqüências que já estão em curso, bem como as piores que podem vir.

Embora tratando de um tema tão incômodo, o tom do filme é leve – Al Gore se revela um palestrante de humor refinado e capacidade de magnetizar as platéias.

Começa mostrando a beleza e fragilidade de nosso planeta e vai-nos conduzindo, gradativamente, à percepção dos absurdos que temos cometido contra ele. O filme é apoiado por recursos tecnológicos avançados, o que, somado ao didatismo do apresentador, nos leva facilmente ao entendimento de que, inadvertidamente, disparamos um poderoso processo de auto-destruição. Se não for imediatamente interrompido, pode levar esta e, especialmente, as próximas gerações, a cenários catastróficos. Mas apesar disto, nos deixa uma mensagem de esperanca: a de que, embora nos percebamos pequenos, temos, cada um de nós, cidadãos deste planeta fantástico, o poder de reverter o processo, de forma muito pragmática. Com ações individuais e com uma postura de cobrança daqueles que podem e devem praticar uma “gestão planetária” mais racional.

Saí do cinema com alguns sentimentos desencontrados:

  • saudade – do tempo em que rios e cachoeiras eram profundos, limpos e “nadáveis”, em que as ruas pertenciam mais aos pedestres que aos automóveis, em que o ar era saudável, em que Belo Horizonte era uma cidade de clima ameno, que atraia pessoas com problemas respiratórios, em que “as neves do Kilimandjaro” , hoje em extinção, eram a utopia exótica de um possível futuro turista;
  • piedade – vontade de abraçar e proteger esta criatura tão fragilmente fantástica, grão de poeira no universo, judiada, pisoteada, enfumaçada e explodida todos os dias;
  • perplexidade – diante das catástrofes que já provocamos, com nossa ignorância e nosso egoísmo, nossos monstrengos enfeitados auto-móveis que, para carregar uma única pessoa de 70 kg (e sua “inpesável” vaidade) precisam queimar quantidades estúpidas de energia poluente;
  • vontade – de contribuir para a conscientização, de não me entregar, de morrer lutando.

    Há algum tempo, escrevi a trilogia “A bomba-relógio chamada automóvel”, publicada e ainda disponível neste espaco. Era uma primeira contribuicao. Recomendo a leitura. Ai vão outras:
    a) o site www.climatecrisis.net é totalmente dedicado ao tema do filme e contém o trailer e informações importantes, inclusive sobre como cada um de nós pode ajudar no desaquecimento;
    b) como o site é em Inglês, pretendo traduzir e publicar trechos neste espaco, nos próximos dias;
    c) vou ainda pesquisar e disponibilizar resumos e fontes de outras informações sobre o tema;
    d) e, especialmente, pretendo me tornar um consumidor ainda mais comedido de energia – elétrica e combustível – e de elementos agressivos ao ambiente.

    Imagino que todo cidadão pode e deve contribuir, adaptando seus hábitos, buscando mais a essência que a aparência. Se for educador, garantindo que todos os seus alunos assistam ao filme e desenvolvam projetos voltados para a sustentabilidade. E um vasto et cetera.

    Caminhemos juntos.

Lúcio Fonseca Artigos

Admirável Educação para um admirável mundo novo

September 13th, 2006
“Um indivíduo consegue hoje um diploma de curso superior sem nunca ter aprendido a comunicar-se, a resolver conflitos, a saber o que fazer com a raiva e outros sentimentos negativos” (Carl Rogers)

Século XXI: uma poderosa conjugação de quatro grandes forças redesenha o mundo. A globalização, a supremacia dos serviços sobre a indústria, o conhecimento substituindo a terra, o capital e o trabalho como grande gerador de riquezas, e, finalmente, a tecnologia, como o meio pelo qual as outras forças atuam.

O advento da Sociedade do Conhecimento, aliada ao vertiginoso avanço tecnológico, trouxe profundas transformações para a humanidade em geral e, em especial, para o mundo do trabalho. Conseqüentemente, gerou novas demandas para o cidadão e para o profissional. Mais do que acumular informações (tarefa cada vez mais impossível e mais inútil), o cidadão/profissional é desafiado a saber de que informação precisa, onde encontrá-la, como acessá-la e como transformá-la em conhecimento. Além disso, precisa ser capaz de trabalhar em equipe, ter ampla visão cultural, valores bem definidos e um vasto etc.

A contribuição do sistema educacional para a formação desse novo cidadão, capaz de estar conectado permanentemente ao mundo, de contribuir para a transformação e de “produzir conhecimento” (ao invés de apenas consumi-lo – ou só consumir), requer uma transformação radical, seja na postura ainda patriarcal da escola, seja no desenvolvimento de uma práxis que de fato permita que os educandos vivenciem, como parte integrante de sua formação, os desafios que este novo mundo do trabalho e da cidadania global lhes trazem. Aprendizagem autônoma e em equipes de trabalho autogerenciadas, uso natural da tecnologia da informação, desenvolvimento de uma “visão de mundo” e participação social “aqui e agora” são apenas alguns itens de uma nova metodologia, necessária para desenvolver as competências demandadas pelos novos tempos e pela tarefa impostergável de “reinventar” o mundo (antes que, talvez, acabe).

Como importante auxiliar nos esforços de transformação da escola, colocam-se as novas tecnologias da informação e comunicação. Dentre estas, além da multimídia, com seu poder de impactar simultaneamente vários sentidos do indivíduo, destaca-se a Internet, com sua capacidade de colocar a informação necessitada à disposição da pessoa, em segundos, e de permitir a comunicação transglobal, a qualquer hora, criando até mesmo a fantástica possibilidade de trabalho em equipes virtuais, multinacionais. Que tal, por exemplo, equipes de estudantes palestinos, brasileiros, americanos e israelenses desenvolvendo, em conjunto, o projeto “Construindo a paz no Oriente Médio” ?

Novos tempos requerem redesenho de papéis. Deixa o Diretor de ser “Diretor de Escola” e passa a ser “Gestor do sistema educacional”; deixa o professor de ser “transmissor de informações” e passa a ser “gestor do ambiente ensino-aprendizagem”; deixa o aluno de ser simplesmente “aluno” e passa a ser “gestor de sua própria aprendizagem”; por fim, deixa a família de ser aquela que “deposita” o filho na escola para ser educado e passa a ser “co-operadora do sistema educacional”.

Para se atingir esse novo patamar, todos os atores da cena educacional têm que ter a humildade de se tornarem eternos aprendizes, para não correrem o risco de se transformarem em “sapos fervidos” (aqueles que morrem “cozidos e felizes”, por não perceberem a mudança, quando colocados em água que se aquece gradativamente).

Revolucionar o aprendizado, pela introdução de nova metodologia, “protagonizante” do educando e apoiada pelas novas tecnologias; investir no seu próprio aperfeiçoamento, buscando sintonizar-se com as novas demandas; dominar e usufruir os benefícios das novas tecnologias, estimulando que os alunos a usem com a naturalidade com que nós , os “antigos”, usávamos o lápis e o caderno; trazer para a gestão da escola, em seus vários níveis, as ferramentas tecnológicas que permeiam todo o mundo moderno do trabalho; inserir nos corações dos educandos a certeza de que são capazes de construir um mundo muito melhor do que o que receberam da geração anterior (e acender a chama do desejo de fazê-lo): contribuições imprescindíveis de educadores e gestores para a construção de um admirável sistema educacional capaz de oferecer à humanidade um admirável mundo novo.

(Poste seu comentário – dê outras sugestões).

Lúcio Fonseca Artigos

Educação, Limites e Sociedade: lá como cá, coincidências há (Ô Pá!)

July 19th, 2006

Em meio ao muito joio que se recebe pela Internet, há também muito trigo. Recebi de um amigo (que recebeu de um amigo, que, por sua vez, recebeu de um amigo, que, a seu turno, recebeu de um amigo…) o texto abaixo, produzido em terras d’além mar. Por sua propriedade (quase) universal e pela conexão com os tempos atuais, permiti-me publicá-lo neste espaço, que tenho reservado, em geral, para minhas próprias reflexões. Confira se as semelhanças são meras coincidências.

A escola que temos não exige a muitos jovens qualquer aproveitamento útil ou qualquer respeito da disciplina. Passa o tempo a pôr-lhes pó de talco e a mudar-lhes as fraldas até aos 17 anos. Entretanto mostra-lhes com toda a solicitude que eles não precisam de aprender nada, enquanto a televisão e outros entretenimentos tratam de submetê-los a um processo contínuo de imbecilização.

Se, na adolescência, se habituam a drogar-se, a roubar, a agredir ou a cometer outros crimes, o sistema trata-os com a benignidade que a brandura dos nossos costumes considera adequadas à sua idade e lava-lhes ternurentamente o rabinho com água de colónia. Ficam cientes de que podem fazer tudo o que lhes der na real gana na mais gloriosa das impunidades.

Não são enquadrados por autoridade de nenhuma espécie na família, nem na escola, nem na sociedade, e assim atingem a maioridade. Deixou de haver serviço militar obrigatório, o que também concorre para quecheguem à idade adulta sem qualquer espécie de aprendizagem disciplinada ou de noção cívica. Vão para a universidade mal sabendo ler e escrever e muitas vezes sem sequer conhecerem as quatro operações. Saem dela sem proveito palpável.

Entretanto, habituam-se a passar a noite em discotecas e noutros proficientes locais de aquisição interdisciplinar do conhecimento, até às cinco ou seis da manhã. Como não aprenderam nada digno desse nome e não têm referências identitárias, nem capacidade de elaboração intelectual, nem competência profissional, a sua contribuição visível para o progresso do país consiste no suculento gáudio de colocarem Portugal no fim de todas as tabelas. Capricham em mostrar que o “bom selvagem” afinal existe e é português. A sua capacidade mais desenvolvida orienta-se para coisas como o Rock in Rio ou o futebol. Estas são as modalidades de participação colectiva ao seu alcance e não requerem grande esforço (do qual, aliás, estão dispensados com proficiência desde a instrução primária).

Contam com o extremoso apoio dos pais, absolutamente incapazes de se co-responsabilizarem por uma educação decente, mas sempre prontos a gritar aqui-d’el-rei! contra a escola, o Estado, as empresas, o gato do vizinho, seja o que for, em nome dos intangíveis rebentos.

Mas o futuro é risonho e é por tudo o que antecede que podemos compreender o insubstituível papel de duas figuras como José Mourinho e Luiz Felipe Scolari. Mourinho tem uma imagem de autoridade friamente exercida, de disciplina, de rigor, de exigência, de experiência, de racionalidade, de sentido do risco. Este conjunto de atributos faz ganhar jogos de futebol e forma um bloco duro e cristalino a enredomar a figura do treinador do Chelsea e o seu perfil de*condottiere* implacável, rápido e vitorioso. Aos portugueses não interessa a dureza do seu trabalho, mas o facto de “ser uma máquina” capaz de apostar e ganhar, como se jogasse à roleta russa.

Scolari tem uma imagem de autoridade, mas temperada pela emoção, de eficácia, mas temperada pelo nacional-porreirismo, de experiência, mas temperada pela capacidade de improviso, de exigência, mas temperada pela compreensão afável, de sentido do risco, mas temperado por um realismo muito terra-a-terra. É uma espécie de tio, de parente próximo que veio do Brasil e nos trata bem nas suas rábulas familiares, embora saiba o que quer nos seus objectivos profissionais.

Ora, depois de uns séculos de vida ligada à terra e de mais uns séculos de vida ligada ao mar, chegou a fase de as novas gerações portuguesas viverem ligadas ao ar, não por via da aviação, claro está, mas porque é no ar mais poluído que trazem e utilizam a cabeça e é dele que colhem a identidade, a comprazer-se entre a irresponsabilidade e o espectáculo. E por isso mesmo, Mourinho e Scolari são os novos heróis emblemáticos da nacionalidade, os condutores de homens que arrostam com os grandes e terríficos perigos e praticam ou organizam as grandes façanhas do peito ilustre lusitano. São eles quem faz aquilo que se gosta de ver feito, desde que não se tenha de fazê-lo pessoalmente porque dá muito trabalho. Pensam pelo país, resolvem pelo país, actuam pelo país, ganham pelo país. Daí as explosões de regozijo, as multidões em delírio, as vivências mais profundas, insubordinadas e estridentes, as caras lambuzadas de tinta verde e vermelha dos jovens portugueses. Afinal foi só para o Carnaval que a escola os preparou. Mas não para o dia seguinte.

A cena brasileira, com seu quadro de desorganização social, hedonismo e consumismo desenfreados, de “subversão” da autoridade no ambiente familiar e escolar, da indisciplina crônica e da violência na escola, do desrespeito ao outro e à autoridade, desembocando em crescente “desobediência civil” e corrupção “septicêmica”, está a exigir reflexão e ação urgentes.

Mas lamento informar que a educação NÃO é a solução (como trombeteiam muitos). Pelo menos não esta educação (em letras minúsculas), voltada para as firulas acadêmicas e muito de cultura inútil, meramente “vestibulística”. Esta que faz com que menos de 5% dos alunos cheguem ao final da 4a. série tendo efetivamente aprendido a ler e escrever. Esta que leva as pessoas a pensarem que um diploma comprado a prestação ou através da “cola” vai resolver o problema. Esta que deu diplomas de graduação e pós-graduação aos maiores larápios do país (ou Lalau, Roberto Jeferson e assemelhados são analfabetos?).

O que poderá nos livrar da mediocrização desenfreada e até mesmo do retorno à barbárie (cujos sinais já são evidentes, não apenas pelo vandalismo das periferias, mas especialmente pela criminalidade que se dissemina pela classe média e pelos altos escalões) é uma EDUCAÇÃO com todas as letras maiúsculas. Uma EDUCAÇÃO familiar, em primeiro lugar, baseada em limites e valores, e uma EDUCAÇÃO acadêmica que, além de prover e premiar a competência técnica, se preocupe em FORMAR cidadãos. Mas tudo isto sem cair no erro de apenas ressuscitar um passado de autoritarismo e intimidação, para conseguir resultados.

A questão preocupa a muitos países. Para onde se olha, vê-se que está a ser gestado um quadro cada vez mais negro. Recomendo a leitura do texto “Educação (escolar?) para uma juventude em crise”, que retrata a mesma precupação na Espanha e dá pistas de solução. Veja em http://www.quadrante.com.br/pages/servicos02.asp?id=45&categoria=Familia Ainda há esperança possível, mas é preciso agir (e torcer para que tenhamos chegado a tempo, como diz o autor do texto sugerido).

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Escola e empresas: aprendendo uns com os outros

July 9th, 2006

Competição, dificuldade de captação de novos alunos, evasão, inadimplência: democraticamente, a escola (em especial a particular) compartilha com as empresas problemas muito similares. Ao contrário destas, que vêm buscando incessantemente formas novas de abordar estes antigos problemas, a escola vem repetindo, insistentemente, velhas fórmulas – fazer mais publicidade e “apertar a cobrança” são algumas delas, com pouca ou nenhuma eficácia mais.

Nos aspectos ligados ao “relacionamento com os clientes”, as escolas se atêm às aulas, para os alunos, e às surradas “reuniões de pais” , a que “só comparecem mães”, como dizia o cronista, e nas quais “os que precisavam” nunca aparecem. “Solução”? Queixar-se e… fazer mais reuniões!!

Com o advento das “Universidades Corporativas”, as empresas dão uma demonstração de humildade e inteligência, absorvendo das escolas seu “know how” na área de educação e treinamento. Por que não fazer a Escola o mesmo, absorvendo das empresas seu “know how” de gestão e solução de problemas? Por que não aprender com elas como relacionar-se mais efetivamente com seus clientes, numa relação personalizada e de mútuo respeito? Por que não aprender com elas como estruturar um ambiente tecnológico que facilite o fluxo das informações e um conhecimento mais profundo dos clientes atuais e potenciais, internos e externos, para poder oferecer a eles produtos e serviços “sob medida”?

Para encontrarmos soluções para os nossos problemas e respostas para os nossos desafios, nada melhor que desviar nosso olhar para áreas diferentes da nossa. Quais são, por exemplo, as cinco coisas que mais querem os clientes? Ao invés dos manuais pedagógicos, consultemos “um compêndio de Marketing” (que recomendo vivamente): Como serão as coisas no futuro – Richard Oliver. Diz lá:

Velocidade
Qualidade
Variedade
Assistência
Preço (justo)

Não será o mesmo que nossos pais e alunos querem? Ou será que um pai gosta de esperar duas horas sentado na ante-sala do Diretor, para ser atendido? Ou ficar pendurado 15 minutos no telefone, ouvindo aquela fantástica mensagem: “Aguarde um pouco. Sua ligação é muito importante. Nossa escola é a melhor do mundo…”

Será que nossos alunos gostam da repetição monocórdia, da ausência de novidades, da rotina pétrea dos horários escolares?

Será que alguém gosta de ser passado para outro, para outro e para outro, quando precisa tratar de algum problema?

Será ainda que alguém aceita pagar um preço injusto, ou seja, maior do que o benefício recebido?

E a qualidade? “Qualidade é adequação ao uso”. Será que o modelo educacional que estamos praticando é “adequado ao uso da Sociedade do Conhecimento” ?

Gestão, Inovação e Tecnologia: o que aumenta a competitividade da Empresa pode servir também para a Escola. Se começarmos a fazer as perguntas certas, muito provavelmente encontraremos as respostas de que necessitamos.

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